A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentaram esclarecimentos nesta sexta-feira (9) após a revista Veja publicar uma reportagem sobre um suposto financiamento do documentário Lula, dirigido por Oliver Stone, pelo ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Segundo a revista, o ex-banqueiro teria destinado R$ 30 milhões em dinheiro vivo à produção do filme e realizado outros pagamentos ao Instituto Lula. A publicação afirma ter tido acesso a um áudio e a documentos que relacionariam os recursos a negociações envolvendo fundos de pensão. As acusações, porém, não foram comprovadas publicamente.
O que dizem a PF e a PGR
Em nota, a Polícia Federal afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o teor divulgado pela revista e que não entregou à corporação anexos, documentos ou informações com aquele conteúdo.
A PF também informou que as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa do investigado à instituição não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais. Ainda na sexta-feira (9), a corporação recebeu uma notícia-crime com pedido de providências urgentes para apurar fatos relacionados à publicação e encaminhou o expediente à área técnica.
A PGR, por sua vez, informou que as tratativas de colaboração foram conduzidas por advogados contratados por Vorcaro e que não houve interlocução direta entre o ex-banqueiro e representantes da Procuradoria. A instituição também afirmou que não houve depoimento oral e que a proposta foi rejeitada, com os motivos comunicados à defesa.
Uma apuração do UOL informou que o suposto financiamento do documentário não aparece no conteúdo extraído do celular de Vorcaro apreendido pela PF nem nas três propostas formais de colaboração obtidas pelo veículo.
Defesa contesta origem do material
A defesa de Daniel Vorcaro repudiou a divulgação dos supostos anexos e declarou não reconhecer a origem, a autenticidade nem a integridade do material publicado. Os advogados também afirmaram que o ex-banqueiro não prestou depoimento oral à PF ou à PGR sobre o conteúdo divulgado.
O Instituto Lula negou participação na produção ou na captação de recursos para o documentário. Em nota, afirmou que nunca recebeu dinheiro destinado à realização do filme e que Paulo Okamotto, diretor do instituto citado na reportagem, não conhece Vorcaro nem participou de reunião com ele.
A equipe de Oliver Stone também negou o recebimento de recursos de Vorcaro ou do Banco Master. Segundo os representantes do cineasta, ele não conhecia o ex-banqueiro e não foi informado de negociações sobre um eventual patrocínio no Brasil.
Reação política e medidas judiciais
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o relato divulgado pela Veja como uma “farsa” e afirmou que adotaria medidas judiciais. A equipe também questionou a divulgação do material durante a campanha do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.
A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que pediria direito de resposta à revista, após solicitação da Secretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência da República e do Ministério da Saúde. O órgão apontou possíveis danos à imagem institucional e questionou a divulgação das acusações.
O candidato Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno, também comentou a reportagem e comparou a denúncia ao financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Flávio defendeu que os recursos solicitados para a produção desse filme foram patrocínio regular. A declaração é um posicionamento político e não comprova o suposto financiamento do documentário sobre Lula.
Até o momento, o suposto repasse de R$ 30 milhões para a produção de Lula não foi comprovado publicamente. A PF informou que recebeu uma notícia-crime relacionada à publicação, que foi encaminhada à área técnica para apuração.
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