O Dia Mundial da Saúde Mental é celebrado em 10 de outubro e chama a atenção para a importância do cuidado psicológico, do combate ao estigma e da ampliação do acesso aos serviços de saúde. Em 2026, a campanha internacional destaca um princípio: pessoas que vivenciam problemas de saúde mental precisam participar das decisões sobre os serviços e as políticas que afetam suas vidas.
O tema deste ano é “Lived experiences heard: real voices, real change”, que pode ser traduzido como “Experiências vividas ouvidas: vozes reais, mudanças reais”. A proposta é fazer com que esses relatos influenciem decisões concretas, em vez de serem ouvidos sem participação efetiva nos processos de mudança.
Como surgiu o Dia Mundial da Saúde Mental
A primeira celebração ocorreu em 10 de outubro de 1992, por iniciativa da Federação Mundial para a Saúde Mental (WFMH), com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). A data foi criada para ampliar a conscientização sobre os problemas de saúde mental e mobilizar esforços para melhorar a prevenção, o atendimento e o apoio às pessoas que precisam de cuidado.
Desde então, o dia passou a receber campanhas temáticas que destacam diferentes desafios. Em 2019, por exemplo, o foco foi a prevenção do suicídio. Em 2023, a campanha destacou a saúde mental como um direito humano universal. Já em 2024, a OMS colocou em evidência a saúde mental no trabalho.
A campanha de 2026 retoma a importância de tratar as pessoas com experiência própria de sofrimento psíquico como participantes das decisões sobre seu cuidado. Isso inclui contribuir com a elaboração de políticas públicas, a organização dos serviços, o combate ao preconceito e a avaliação dos resultados do atendimento.
Por que ouvir quem vivencia o problema
A experiência de quem procurou atendimento, recebeu tratamento ou encontrou dificuldades para acessar serviços de saúde oferece informações que nem sempre aparecem em estudos técnicos ou relatórios administrativos. Para a OMS, essa participação pode ajudar a criar serviços mais próximos das necessidades reais das pessoas, com respeito aos direitos, à autonomia e à dignidade.
A discussão também envolve a forma como o cuidado é prestado. A organização defende a ampliação de serviços comunitários e centrados na pessoa, com apoio para que as pessoas possam viver em suas comunidades e manter vínculos familiares e sociais, em vez de depender exclusivamente de instituições de longa permanência.
Saúde mental também passa pelo ambiente de trabalho
Embora o trabalho não seja o tema oficial de 2026, ele continua sendo uma dimensão importante da saúde mental. A OMS aponta que ambientes marcados por assédio, discriminação, excesso de demandas e insegurança profissional podem aumentar os riscos psicossociais. Por outro lado, condições de trabalho adequadas podem contribuir para o bem-estar e para relações sociais positivas.
Em 2023, cerca de 16% dos adultos em idade de trabalhar viviam com algum transtorno mental, segundo estimativa da OMS. A organização calcula ainda que a depressão e a ansiedade provoquem a perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, com custo estimado em US$ 1 trilhão em produtividade perdida.
Esses dados mostram por que a prevenção precisa envolver não apenas o indivíduo, mas também empregadores, serviços de saúde e políticas públicas. Identificar riscos no ambiente profissional, prevenir o assédio, oferecer apoio e facilitar o acesso ao cuidado fazem parte desse esforço.
Como buscar atendimento pelo SUS
No Brasil, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) organiza o atendimento público a pessoas com sofrimento ou transtornos mentais, incluindo situações relacionadas ao uso de álcool e outras drogas. A rede foi instituída no SUS pela Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011.
Entre os serviços disponíveis estão os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades de saúde, serviços de urgência e emergência e atendimento hospitalar, de acordo com a organização da rede em cada município. As equipes fazem acolhimento, acompanhamento e encaminhamento conforme a necessidade de cada pessoa.
Buscar ajuda não precisa ser o último recurso. Quem enfrenta sofrimento persistente ou percebe mudanças que afetam o cotidiano pode procurar uma unidade de saúde ou um serviço de saúde mental para receber orientação e avaliar as opções de cuidado.
O Dia Mundial da Saúde Mental lembra, acima de tudo, que o cuidado não deve ser construído sem ouvir as pessoas que precisam dele. Em 2026, a mensagem é transformar a escuta em participação real, com mudanças nos serviços, nas políticas e nas relações sociais.
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