O acesso à educação logo nos primeiros anos de vida é decisivo para a formação de uma criança. No entanto, para milhares de famílias em João Pessoa, esse direito básico esbarra em portas fechadas. Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (29) expõe uma realidade severa: a capital paraibana possui a segunda pior taxa do Brasil na escolarização de crianças de 4 e 5 anos nas escolas municipais.
Os dados, que acendem um alerta para a gestão pública, são detalhados no estudo do Instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede). A pesquisa ganha ampla credibilidade por ter sido estruturada em parceria com instituições de peso, como as fundações Bracell, Itaú, Van Leer e VélezReyes+, além do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
A estatística coloca João Pessoa na base do ranking nacional no atendimento à pré-escola. O levantamento cruza dados alarmantes e aponta que mais de 26% das crianças de 4 anos na capital estão simplesmente fora das salas de aula, sem acesso a creches ou unidades de educação infantil.
O mesmo estudo evidencia que o cumprimento da lei é totalmente possível: capitais como São Paulo, Vitória, Belo Horizonte e Curitiba já alcançaram a marca histórica de 100% de escolarização das crianças de 4 e 5 anos. Esse contraste mostra a defasagem local e a urgência de uma reestruturação nas políticas de vagas na Paraíba.
No Brasil, a matrícula a partir dos 4 anos não é uma escolha, é uma obrigação constitucional. Quando o município falha em garantir a universalização dessa etapa, o reflexo paralisa múltiplas camadas da sociedade:
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Prejuízo cognitivo: Especialistas apontam que a ausência na educação infantil compromete o desenvolvimento neurológico e a socialização na fase em que o cérebro da criança tem maior plasticidade para o aprendizado.
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Paralisação econômica das famílias: O déficit impacta violentamente o cotidiano financeiro. Sem vagas garantidas, milhares de mães e pais são forçados a abrir mão de empregos formais por não terem um local seguro e educativo para deixarem seus filhos.
O levantamento do Iede reforça que, apesar de alguns avanços pontuais no país, as regiões Norte e Nordeste ainda concentram o maior gargalo no acesso à educação básica.


