A Polícia Civil da Paraíba e o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB), deflagraram nesta terça-feira (22) a Operação Feudo, em Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa. A investigação mira uma organização criminosa suspeita de expulsar mais de 250 famílias de suas casas e de tomar ilegalmente os imóveis depois da saída dos moradores.
Segundo as autoridades, os moradores teriam sido retirados das residências sob ameaças e violência armada. Depois, integrantes do grupo passariam a ocupar os imóveis e a retirar móveis e outros bens deixados pelas vítimas, com parte dos objetos sendo saqueada ou vendida.
A operação busca atingir as estruturas financeira e operacional da organização. Ao todo, foram expedidos 21 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão. Até uma atualização divulgada durante a manhã, pelo menos 17 mandados de prisão haviam sido cumpridos.
Participam da ação equipes da 4ª Delegacia Seccional de Polícia Civil (4ª DSPC), Unintelpol e Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), além do Gaeco/MPPB.
Famílias teriam sido expulsas das próprias casas
O principal eixo da investigação é a suspeita de que o grupo tenha utilizado ameaças e violência armada para obrigar moradores a deixar suas residências.
De acordo com a apuração, mais de 250 famílias teriam sido retiradas de suas casas. Após a saída, os imóveis seriam tomados pelos integrantes da organização, que também se apropriariam dos bens deixados nos locais.
A investigação aponta ainda para um esquema de agiotagem associado à tomada ilegal de imóveis, além de suspeitas de extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Secretária municipal está entre os alvos
A secretária de Ação Social de Bayeux, Ivoneide de Araújo, está entre os alvos da Operação Feudo. Contra ela foi cumprido um mandado de busca e apreensão.
Segundo informações divulgadas sobre a investigação, os investigadores apuram se a secretária teria utilizado o cargo para beneficiar pessoas ligadas ao grupo investigado. A medida, porém, ocorre no contexto da apuração e não representa, por si só, comprovação de participação nos crimes.
O delegado responsável pelo caso, Alexandre Fernandes, também confirmou que o ex-secretário de Administração de Bayeux Emerson Fernando Nunes Oliveira foi alvo de busca e apreensão. Ele ocupou a pasta em 2022, durante a gestão da então prefeita Luciene Gomes.
Investigação apura vários crimes
Além da expulsão dos moradores e da tomada dos imóveis, a polícia e o Ministério Público investigam possíveis crimes de esbulho possessório, agiotagem com tomada ilegal de imóveis, extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro por meio de transações via Pix.
A operação também considera a possibilidade de ocorrência do crime de domínio social estruturado, previsto na Lei nº 15.358/2026, que instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil. A legislação passou a tipificar condutas de organizações criminosas ultraviolentas relacionadas, entre outras situações, ao uso de violência ou grave ameaça para impor controle ou influência sobre comunidades e territórios.
A classificação jurídica das condutas ainda depende do avanço da investigação e das decisões tomadas no curso do processo.
Prefeitura se manifesta sobre secretária
Após a divulgação de que Ivoneide de Araújo estava entre os alvos, a Prefeitura de Bayeux informou que recebeu a situação com serenidade e afirmou confiar nas instituições responsáveis pela apuração.
A gestão também destacou a necessidade de respeito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência da secretária durante o processo investigativo.
A prefeitura afirmou ainda que continuará acompanhando o caso e aguardando o esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes.
Operação ainda terá novos desdobramentos
Com o cumprimento dos mandados, os investigadores devem analisar documentos, equipamentos e outros materiais eventualmente apreendidos para esclarecer a estrutura e a extensão da organização.
A apuração deverá buscar também identificar a participação individual dos investigados e verificar como funcionaria a movimentação financeira atribuída ao grupo.
Como a investigação ainda está em andamento, novas prisões, diligências e informações podem surgir nos próximos dias.


