O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou nesta segunda-feira (11) a legislação que estabelece o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data definida para a homenagem anual é 12 de março, marco que remete oficialmente à primeira morte registrada em decorrência da doença no Brasil.
A escolha do dia 12 de março possui um contexto histórico específico. De acordo com o autor do projeto de lei, o deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), a data assinala o falecimento de Hosana Urbano, uma diarista de 57 anos. Ela foi a primeira vítima fatal do vírus no país, vindo a óbito no Hospital Municipal do Tatuapé, no bairro de Tiradentes. Durante o relato, o parlamentar destacou que a trabalhadora tinha o objetivo de quitar as parcelas do seu apartamento para residir com o neto, buscando humanizar as estatísticas da crise sanitária.
A cerimônia de sanção contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Na abertura do evento, o ministro comparou a condução do Ministério da Saúde dos últimos nove anos com as diretrizes atuais. Padilha declarou que a instituição da memória possui dois papéis centrais: acolher o sofrimento das famílias e criar um registro histórico para impedir que a sociedade e o Estado permitam a repetição de cenários semelhantes na condução de pandemias.
Durante a solenidade, o presidente Lula discursou sobre o período da pandemia durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). O atual chefe do Executivo federal cobrou responsabilização pelas ações passadas e questionou o motivo pelo qual entidades médicas não abriram processos de crimes contra a humanidade direcionados ao ex-presidente, aos ex-ministros da Saúde e aos médicos que atuaram de forma pró-cloroquina. Lula finalizou afirmando que as pessoas responsáveis pela disseminação de desinformação não podem cair no esquecimento.


