A rejeição de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para ocupar uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ) gerou um efeito dominó no Congresso Nacional. Aproveitando o revés da articulação governista, parlamentares da oposição iniciaram uma forte movimentação para paralisar as novas indicações do Poder Executivo. O foco dessa pressão é o senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a quem pedem a suspensão de todas as sabatinas de autoridades até a conclusão do pleito municipal de outubro.
A estratégia da oposição cruza com as ambições políticas de Alcolumbre. O parlamentar amapaense desponta como o favorito para suceder Rodrigo Pacheco na presidência do Senado em 2025. Para garantir uma eleição tranquila e consolidar seu favoritismo, ele precisa do apoio de diversos espectros da Casa, o que o obriga a equilibrar os interesses do Palácio do Planalto com as demandas de blocos opositores e independentes.
O argumento oficial utilizado pelos senadores para justificar o “congelamento” das pautas é o próprio calendário. Com a iminência das campanhas política, o quórum em Brasília sofre uma queda natural, visto que os congressistas transferem suas atenções para os redutos eleitorais. Contudo, nos bastidores, a tática visa neutralizar o poder de barganha do governo, impedindo que o Executivo utilize as indicações a cargos de alto escalão como moeda de troca durante as eleições.
Se o presidente da CCJ acatar a demanda oposicionista, o governo Luiz Inácio Lula da Silva enfrentará um gargalo significativo em setores estratégicos. O represamento defendido pelos senadores não se restringe ao Judiciário (como novas vagas no próprio STJ e em tribunais regionais). A paralisação atingiria em cheio a diplomacia brasileira, travando a aprovação de chefes de missões internacionais e embaixadores, além de congelar as sabatinas para as diretorias de agências reguladoras, responsáveis por gerir áreas vitais da economia e infraestrutura.
O governo, por sua vez, tenta administrar os danos deixados pela reprovação do nome de Messias. A prioridade governista agora é restabelecer pontes no Senado para evitar que a CCJ seja completamente esvaziada, o que resultaria em meses de vacância em cargos fundamentais da administração pública nacional.


