O relógio está correndo para o maior evento de futebol do planeta, e a voz mais conhecida do esporte brasileiro precisou fazer uma pausa estratégica. O narrador Galvão Bueno passou por duas cirurgias de catarata em um curtíssimo intervalo de apenas três dias. Os procedimentos foram realizados em um hospital particular na cidade de Londrina, no Paraná, entre o último sábado (2) e esta segunda-feira (4), em uma verdadeira corrida contra o tempo para sua estreia na Copa do Mundo.
Segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa do comunicador, as intervenções foram rápidas e bem-sucedidas. Galvão já recebeu alta hospitalar e segue o processo de recuperação em casa.
A decisão médica de realizar as cirurgias neste momento não foi por acaso. Ela atende ao calendário profissional e à logística que a cobertura da Copa do Mundo exige. O torneio será disputado entre os meses de junho e julho, com sedes divididas entre Estados Unidos, México e Canadá.
Neste novo ciclo da carreira, longe da tela da Globo, Galvão assume uma missão de peso. Ele será o principal nome das transmissões do SBT, comandando dez partidas exclusivas. O pacote do veterano inclui o jogo de abertura, a grande final e todos os confrontos da Seleção Brasileira durante a competição.
Para dar conta da maratona de jogos, a emissora montou um esquema de cobertura robusto e escalou outro peso-pesado do entretenimento: Tiago Leifert. O ex-apresentador da Globo ficará responsável por narrar as outras 22 partidas dos direitos adquiridos pelo canal paulista.
O retorno de Galvão a uma Copa do Mundo na TV aberta envolve muito mais do que apenas sua voz. A operação comercial que levou os direitos de transmissão para o SBT foi viabilizada através de uma grande parceria com a NSports, empresa da qual Galvão Bueno atua como sócio.
Juntas, as corporações investiram 25 milhões de dólares (cerca de R$ 134,5 milhões na cotação) para garantir o direito de exibir 32 jogos da edição do torneio.
Embora o montante seja expressivo, os valores ainda são consideravelmente inferiores ao que o mercado estava acostumado na era de monopólio da concorrência. A TV Globo, adversária direta na briga pela audiência esportiva, havia firmado um acordo ainda durante o período da pandemia para assegurar os eventos da Fifa entre 2023 e 2026. A emissora carioca desembolsou aproximadamente 60 milhões de dólares por ano (o equivalente a R$ 322 milhões atuais) para manter os direitos sob seu domínio.


