Poucos dias separam o 21 de setembro da chegada da primavera no Hemisfério Sul. É justamente nessa época que o Brasil costuma lembrar uma das datas ambientais mais conhecidas do calendário: o Dia da Árvore.
Mas existe uma curiosidade que passa despercebida por muita gente. Embora o 21 de setembro continue sendo amplamente reconhecido como Dia da Árvore, a legislação brasileira criou outra denominação e uma divisão regional para a celebração.
Em 24 de fevereiro de 1965, o Decreto nº 55.795 instituiu a Festa Anual das Árvores em todo o país, substituindo oficialmente o chamado “Dia da Árvore”, que naquele momento era comemorado em 21 de setembro. O decreto determinou que a data fosse celebrada de maneira diferente conforme as características climáticas e geográficas de cada região.
Na Paraíba e em outros estados do Norte e Nordeste, a Festa Anual das Árvores ficou estabelecida para a última semana de março. Já em estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a comemoração foi vinculada à semana iniciada em 21 de setembro.
Na prática, porém, o nome “Dia da Árvore” permaneceu no uso cotidiano e segue sendo lembrado em 21 de setembro por escolas, instituições e campanhas ambientais. O próprio governo federal mantém publicações associando a data à proximidade da primavera.
De onde veio a tradição?
A história moderna das comemorações dedicadas às árvores ganhou força nos Estados Unidos. Em 1872, o jornalista e político J. Sterling Morton propôs em Nebraska a criação de uma data dedicada ao plantio de árvores. A primeira edição ocorreu em 10 de abril daquele ano e resultou no plantio de mais de um milhão de árvores.
A ideia se espalhou por diferentes lugares do mundo e ganhou formatos próprios conforme cada país. No Brasil, a celebração de setembro acabou associada à aproximação da primavera, período em que a nova estação começa no Hemisfério Sul.
Em 2026, porém, a estação não começa em 21 de setembro. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a primavera terá início oficialmente em 22 de setembro, às 21h05.
Por que as árvores são tão importantes?
A importância das árvores vai muito além da sombra que elas oferecem nas cidades. A vegetação participa da regulação do microclima, da manutenção da umidade, da proteção do solo e do equilíbrio dos ecossistemas.
A evapotranspiração devolve água para a atmosfera e contribui para a regulação térmica. As raízes e a cobertura vegetal também ajudam na infiltração da água e podem reduzir o escoamento superficial e a erosão do solo.
As árvores ainda fornecem alimentos, madeira e outros produtos utilizados pela sociedade, além de criarem habitat e abrigo para diferentes espécies.
Por isso, a conservação das florestas não está ligada apenas à paisagem. Ela envolve água, solo, biodiversidade, clima e atividades econômicas. A Embrapa classifica esses benefícios como parte dos chamados serviços ecossistêmicos.
O desmatamento, por outro lado, reduz a cobertura vegetal e pode provocar perda de biodiversidade, erosão e alterações nos sistemas de água e clima. No caso da Amazônia, pesquisas citadas pelo INPE apontam que a retirada extensa da floresta pode contribuir para um clima mais quente e seco e alterar padrões regionais de chuva.
O Pau-Brasil e as árvores-símbolo
O Brasil também possui uma árvore oficialmente reconhecida como símbolo nacional. A Lei nº 6.607, de 7 de dezembro de 1978, declarou o pau-brasil como Árvore Nacional e determinou ações de conservação e divulgação da importância histórica da espécie.
Outra curiosidade amplamente divulgada em materiais educativos e institucionais é a associação de uma espécie a cada grande região do país: a castanheira no Norte, a carnaúba no Nordeste, o ipê-amarelo no Centro-Oeste, o pau-brasil no Sudeste e a araucária no Sul.
Na Paraíba, a diferença entre as datas ganha um significado especial. Em março de 2026, o Jardim Botânico Benjamin Maranhão, em João Pessoa, recebeu a programação da Festa Anual das Árvores, seguindo o calendário regional definido pelo decreto de 1965.
E no resto do mundo?
A principal data internacional relacionada às florestas hoje é o Dia Internacional das Florestas, celebrado em 21 de março. A data foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2012 e busca chamar atenção para a importância de todos os tipos de florestas.
Assim, o calendário acabou criando duas referências diferentes: setembro permanece como o conhecido Dia da Árvore no Brasil, enquanto março reúne a Festa Anual das Árvores em estados como a Paraíba e o Dia Internacional das Florestas no calendário das Nações Unidas.
No fim das contas, a data pode mudar de lugar para lugar, mas a mensagem permanece: preservar árvores e florestas significa também cuidar da água, do solo, da biodiversidade e das condições que sustentam a vida.


