A Polícia Civil da Paraíba informou que Jorlan Lopes da Silva, preso no domingo (13) em Mulungu e que afirmou ter matado cerca de 80 pessoas ao longo da vida, participou do furto de armas históricas ocorrido em uma fazenda no município de Capim.
Segundo a corporação, parte do armamento recuperado teria sido utilizado por forças volantes no combate ao bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. As armas estavam guardadas em um baú enterrado na propriedade rural.
O furto aconteceu no dia 7 de setembro. Depois do registro do boletim de ocorrência na Central de Polícia Civil de Mamanguape, os investigadores identificaram um trabalhador rural que prestava serviços na fazenda e que, conforme a apuração, teria indicado aos envolvidos a existência e a localização das armas.
O homem foi localizado e preso. Durante a abordagem, a Polícia Civil constatou ainda que havia um mandado de prisão em aberto contra ele por homicídio.
As investigações também levaram à identificação de outros dois suspeitos apontados como autores do furto. O armamento foi localizado e recuperado.
Ao todo, foram apreendidos três rifles calibre .44 Winchester, uma espingarda calibre 12 e uma arma de pressão por ação de mola. Um dos homens presos, de 45 anos, foi autuado por receptação e por crimes previstos no Estatuto do Desarmamento.
Prisão em Mulungu
A prisão de Jorlan ocorreu após uma operação policial que durou cerca de 48 horas. Segundo a Polícia Civil, ele tentou escapar do cerco em Mulungu usando vestido, peruca, sandálias femininas, óculos escuros e unhas pintadas. Durante a fuga, carregava uma criança de aproximadamente dois anos, que não é parente dele.
De acordo com o delegado Douglas Garcia, Jorlan teria retornado à residência onde estava escondido para pegar um revólver e deixou a criança no local. Na saída, uma tatuagem ficou visível após o vestido se deslocar, o que ajudou os policiais a identificá-lo.
Após a prisão, Jorlan afirmou, durante depoimento, ter cometido cerca de 80 homicídios ao longo da vida. A Polícia Civil, porém, ainda não confirmou esse número e está confrontando o relato com provas técnicas, investigações e registros de homicídios.
Atualmente, segundo a corporação, existem elementos que relacionam o investigado a 16 homicídios ocorridos em aproximadamente três meses na região do Vale do Mamanguape. O delegado Douglas Garcia afirmou que a investigação vai verificar se a declaração sobre as 80 mortes corresponde a outros crimes.
Segundo o delegado Marcos Paulo Sales, Jorlan e os outros dois suspeitos presos na mesma operação teriam ligação com uma mesma facção criminosa que atua na região.
Depois da audiência de custódia, Jorlan foi encaminhado para o Presídio Sílvio Porto, em João Pessoa. A investigação continua.


