O Dia Nacional de Combate ao Fumo chega aos 40 anos neste sábado (29), com uma missão criada ainda na década de 1980 e que continua atual: alertar os brasileiros sobre os danos causados pelo tabaco. A data foi instituída pela Lei nº 7.488, de 11 de junho de 1986, que determinou a realização anual de uma campanha nacional de conscientização.
Como nasceu o Dia Nacional de Combate ao Fumo
Quando a lei foi sancionada, em 1986, o objetivo era criar uma mobilização nacional para chamar atenção aos malefícios do cigarro e de outros produtos derivados do tabaco. O texto estabeleceu o dia 29 de agosto como a data oficial e determinou que o Ministério da Saúde promovesse uma campanha durante a semana anterior.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a criação da data marcou um momento importante na institucionalização das ações de controle do tabagismo no Brasil. Desde então, campanhas públicas passaram a acompanhar as mudanças no perfil do consumo e os novos desafios relacionados à nicotina.
O problema mudou de forma
Quatro décadas depois, o cigarro tradicional deixou de ocupar sozinho o centro das preocupações. Os dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como vapes, pods e cigarros eletrônicos, passaram a fazer parte do cenário, principalmente entre adolescentes e jovens.
Dados do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), realizado em 2023, apontam que 26,8 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais faziam uso de nicotina, o equivalente a 15,5% dessa população. O levantamento considera o consumo de cigarro convencional, dispositivos eletrônicos ou os dois.
Naquele ano, 9,9% da população pesquisada usava exclusivamente cigarro convencional, 3,7% usava apenas dispositivos eletrônicos e 1,9% fazia uso combinado das duas formas.
Os dados também enfraquecem a ideia de que o vape seria uma solução simples para quem deseja abandonar o cigarro. Entre os usuários de dispositivos eletrônicos, 77,6% afirmaram que o aparelho não reduziu o hábito de fumar, enquanto apenas 8,9% disseram ter parado de fumar depois de começar a usar esses produtos.
Os jovens no centro do alerta
A preocupação cresce quando o foco se volta para os adolescentes. Segundo o mesmo levantamento, 76,3% dos adolescentes que experimentaram dispositivos eletrônicos mantiveram o uso. Além disso, 80,7% consideraram fácil ter acesso aos aparelhos.
A iniciação ao consumo de nicotina também ocorre cedo. Entre os fumantes, 26,1% disseram ter começado antes dos 14 anos. Entre adolescentes fumantes, o percentual sobe para 37,6%.
No Brasil, os dispositivos eletrônicos para fumar continuam proibidos para fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda. A proibição existe desde 2009 e foi mantida e ampliada pela Anvisa com a RDC nº 855/2024.
O impacto também chega ao coração
O tabagismo não afeta apenas os pulmões. A nicotina provoca contração dos vasos sanguíneos e pode elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca. O cigarro também agride o endotélio, camada que reveste internamente os vasos, favorecendo alterações que dificultam a circulação.
De acordo com o cardiologista Abrão Cury, do HCor, homens fumantes apresentam três vezes mais chances de sofrer um infarto quando comparados a homens que não fumam.
O fumo passivo também representa risco. Além de expor outras pessoas às substâncias presentes na fumaça, a convivência com fumantes dentro de casa é especialmente preocupante entre adolescentes: 16,5% deles relataram viver com alguém que fuma no ambiente doméstico.
Parar de fumar é possível
A dependência de nicotina pode tornar difícil abandonar o cigarro, mas quem deseja parar não precisa enfrentar esse processo sozinho. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito, que pode envolver avaliação clínica, acompanhamento individual ou em grupo e, quando necessário, medicamentos para ajudar a controlar os sintomas da abstinência.
Em 2026, o INCA escolheu como tema da campanha do Dia Nacional de Combate ao Fumo a frase “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”. A proposta aproxima a prevenção do tabagismo do universo dos jovens e reforça os benefícios de manter uma vida ativa longe do tabaco e da nicotina.
Quarenta anos depois de sua criação, o Dia Nacional de Combate ao Fumo continua cumprindo a mesma função essencial: informar para prevenir. O desafio mudou de formato, mas a necessidade de combater a dependência de nicotina permanece.


