Planilhas, balanços e cálculos fazem parte da imagem mais conhecida da Contabilidade, mas a história do contador brasileiro passa por uma transformação que começou há mais de oito décadas. Em 22 de setembro de 1945, o presidente Getúlio Vargas assinou o Decreto-Lei nº 7.988, um marco para a criação do ensino superior de Ciências Contábeis no país.
É por causa desse acontecimento que o dia 22 de setembro passou a ser celebrado como o Dia do Contador. O decreto estabeleceu, em nível superior, o curso de Ciências Contábeis e Atuariais, com duração de quatro anos e formação em áreas que iam muito além dos números.
Quando a Contabilidade chegou à universidade
O decreto de 1945 organizou o curso de Ciências Contábeis e Atuariais em quatro anos. A primeira série já reunia disciplinas como Análise Matemática, Estatística, Contabilidade Geral, Ciência da Administração e Economia Política.
Nos anos seguintes, os estudantes passavam por conteúdos de Matemática Financeira, Ciências das Finanças, Contabilidade Industrial e Agrícola, Contabilidade Bancária, Finanças das Empresas, Técnica Comercial, Contabilidade Pública, Revisões e Perícia Contábil, além de legislação tributária e fiscal.
A formação contábil em nível superior começou a ser implantada em diferentes instituições. A Universidade Federal de Minas Gerais, por exemplo, informa que seu curso de Ciências Contábeis começou a funcionar em 1945 e está entre os primeiros cursos superiores de Contabilidade do Brasil.
A história do ensino superior da área, portanto, não nasceu de uma única sala de aula. O decreto federal criou o marco nacional, enquanto diferentes instituições passaram a organizar os novos cursos.
De Ciências Contábeis e Atuariais a dois cursos
No momento da criação, Contabilidade e Atuária ainda faziam parte do mesmo curso. Essa estrutura mudou seis anos depois.
A Lei nº 1.401, de 31 de julho de 1951, permitiu o desdobramento do curso de Ciências Contábeis e Atuariais em dois cursos distintos: Ciências Contábeis e Ciências Atuariais. A partir daí, os estudantes poderiam receber diplomas separados de bacharel em cada área.
A mudança ajudou a consolidar a identidade própria da formação contábil, que continuaria a incorporar novas áreas de conhecimento conforme a economia e as organizações brasileiras se transformavam.
O próximo passo veio em 1946
A criação do curso superior foi apenas uma parte da história. No ano seguinte, veio outro marco importante.
Em 27 de maio de 1946, o Decreto-Lei nº 9.295 regulamentou a profissão de contador e criou o Conselho Federal de Contabilidade e os Conselhos Regionais. A partir dessa estrutura, a categoria passou a contar com um sistema próprio de registro e fiscalização profissional.
Décadas depois, as exigências profissionais foram atualizadas. A Lei nº 12.249/2010 estabeleceu que o exercício da profissão de contador depende da conclusão do bacharelado em Ciências Contábeis reconhecido pelo Ministério da Educação, da aprovação no Exame de Suficiência e do registro no Conselho Regional de Contabilidade.
A mesma legislação preservou o direito de exercício dos técnicos em contabilidade que já estavam registrados ou que cumprissem a condição legal para registro até 1º de junho de 2015.
Uma profissão que mudou com o tempo
A imagem do contador cercado por livros, calculadoras e documentos ainda faz parte do imaginário da profissão, mas o trabalho mudou junto com a economia e a tecnologia.
Atualmente, a formação permite atuação em áreas como auditoria, perícia, controladoria, finanças, consultoria e assessoria. O profissional formado em Ciências Contábeis pode trabalhar em diferentes campos ligados à gestão e à prestação de contas das organizações.
O calendário da profissão ainda reserva outra data. Em 25 de abril é celebrado o Dia do Profissional da Contabilidade, denominação adotada pelo Conselho Federal de Contabilidade em 2012 para uma comemoração cuja origem remonta a 1926, quando o senador João Lyra defendeu a data como o Dia do Contabilista Brasileiro.
Assim, 22 de setembro guarda um significado específico: é a data que lembra o momento em que a Contabilidade ganhou oficialmente um lugar no ensino superior brasileiro. O que começou em 1945 com um curso de Ciências Contábeis e Atuariais ajudou a formar a estrutura profissional que, décadas depois, continua acompanhando as transformações da economia e das organizações.


