A cantora, compositora e atriz Dolly Parton morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos, em Nashville, nos Estados Unidos. A morte foi anunciada pela família em um vídeo publicado nas redes sociais oficiais da artista. A causa não havia sido divulgada nas primeiras informações sobre o falecimento.
O comunicado foi feito pelo sobrinho Bryan Seaver, que trabalhou como chefe de segurança de Dolly por mais de duas décadas. Segundo ele, a própria artista havia pedido anos atrás que ele fosse responsável pelo anúncio quando chegasse o momento.
Seaver também contou que Dolly desejava descansar em uma cama de algodão macio depois de uma vida marcada pelos figurinos com strass. A família informou que fará uma cerimônia privada para os parentes mais próximos.
Uma carreira que atravessou gerações
Dolly Parton construiu uma carreira de aproximadamente sete décadas, com mais de 100 milhões de discos vendidos e 11 prêmios Grammy, incluindo o Lifetime Achievement Award. Entre suas músicas mais conhecidas estão “Jolene”, “Coat of Many Colors” e “I Will Always Love You”, esta última transformada em fenômeno mundial também pela gravação de Whitney Houston.
A primeira vitória de Dolly no Grammy veio na cerimônia de 1979, por “Here You Come Again”, na categoria de melhor performance vocal country feminina.
Dolly também acumulou um dos currículos mais expressivos da música country. Ela teve 25 canções no primeiro lugar da Hot Country Songs, segundo o Guinness World Records.
Em 2022, foi introduzida no Rock & Roll Hall of Fame como integrante da categoria Performer, reconhecimento que ampliou ainda mais a dimensão de uma carreira que atravessou o country e dialogou com o pop, rock, gospel e outros gêneros.
A compositora por trás dos sucessos
Dolly dizia ter escrito cerca de 3 mil músicas ao longo da carreira. Mais de 450 dessas composições haviam sido gravadas, inclusive por outros artistas. O repertório ajudou a consolidar sua reputação como uma das grandes compositoras da música popular americana.
O reconhecimento também veio da indústria da composição. Em 2007, Dolly recebeu o Johnny Mercer Award, da Songwriters Hall of Fame, prêmio destinado a compositores já consagrados e reconhecidos pela qualidade e impacto de sua obra.
“I Will Always Love You”, escrita por Dolly para Porter Wagoner, ganhou enorme projeção internacional na voz de Whitney Houston. A gravação da cantora para O Guarda-Costas se tornou um dos maiores sucessos da década de 1990.
Cinema, televisão e Dollywood
Dolly também teve uma carreira de destaque no cinema. Ela estreou nas telas como atriz principal em “9 to 5”, de 1980, e recebeu indicação ao Oscar pela canção-título. Em 2006, voltou a ser indicada ao Oscar por “Travelin’ Thru”, composta para o filme Transamerica.
Além de atuar e compor, Dolly se tornou empresária e criou o Dollywood, parque temático localizado no Tennessee. O empreendimento se transformou em um dos principais símbolos turísticos associados à artista e à região onde cresceu.
Em 2025, seu trabalho humanitário também foi reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Dolly recebeu o Jean Hersholt Humanitarian Award, concedido por sua atuação filantrópica e pelas iniciativas voltadas ao bem-estar social.
Da pobreza à filantropia
Dolly nasceu em 19 de janeiro de 1946, em Locust Ridge, no Tennessee, em uma família numerosa e de poucos recursos. As experiências da infância influenciaram parte de sua obra e também ajudaram a moldar sua atuação filantrópica.
Uma das iniciativas mais conhecidas é a Dolly Parton’s Imagination Library, criada em 1995 para distribuir livros gratuitamente a crianças. O programa cresceu e se tornou uma iniciativa internacional de incentivo à leitura.
Durante a pandemia de Covid-19, Dolly doou US$ 1 milhão à Vanderbilt University para pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de vacinas. O gesto ficou associado à pesquisa que contribuiu para o desenvolvimento da vacina da Moderna.
Sua produção artística e seu trabalho social acabaram se tornando duas faces da mesma trajetória. Dolly não apenas gravou músicas que atravessaram gerações: criou personagens, histórias, projetos e instituições que permanecerão ligados ao seu nome.
A própria artista costumava tratar a composição como o centro de sua identidade. Depois de sete décadas de carreira, as canções que escreveu talvez sejam a parte mais duradoura de seu legado.


