O Brejo paraibano está vivenciando o renascimento de uma cultura que marcou o século XIX na região: a produção de café. Com clima favorável e foco em qualidade superior, a cafeicultura voltou a ganhar força nos últimos anos e já mobiliza mais de 40 produtores. Agora, além de gerar renda, a atividade se consolida como um forte atrativo para o turismo de experiência, somando-se à já tradicional rota da cachaça.
A cadeia produtiva do café na região abrange atualmente sete municípios: Areia, Bananeiras, Pilões, Matinhas, Alagoa Nova, Alagoa Grande e Serraria. Todo esse movimento de retomada conta com o suporte estrutural e financeiro do Banco do Nordeste (BNB), principalmente por meio do Programa de Desenvolvimento Territorial (Prodeter).
Um dos grandes impulsionadores desse novo ciclo é a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que vem desenvolvendo estudos focados no cultivo do café arábica. Os resultados em campo surpreendem: as pesquisas registram o uso de diversas cultivares que alcançam uma produtividade média superior a 45 sacas por hectare. Para se ter uma ideia do potencial, a média nacional estimada em 2025 foi de aproximadamente 25 sacas por hectare.
Guilherme Podestá, professor da UFPB e pesquisador do Núcleo de Estudos em Cafeicultura em Areia, ressalta que o território concentra excelentes condições para o plantio. “Atualmente, a produção integra um ecossistema que soma outras culturas, em que o café vem para agregar valor e aumentar a renda dos produtores”, destaca o pesquisador.
O foco dos produtores locais não é apenas a quantidade, mas a excelência. Seja em formatos tradicionais ou agroecológicos, o cultivo segue padrões rigorosos. O processo é minucioso: o plantio é feito com extremo cuidado, a colheita é inteiramente manual (garantindo o ponto ideal de maturação), e a secagem ocorre de forma natural por cerca de 30 dias. Por fim, a torra é realizada apenas com os grãos classificados como perfeitos.
Esse ecossistema que envolve tradição, gastronomia, estudos científicos e processos de torra foi um dos destaques apresentados por Fernando Magno, agente de desenvolvimento do BNB, durante o 2º Encontro de Cafeicultura do Brejo Paraibano. O evento, realizado no mês de abril, teve como tema “A Nova Geografia do Café: Potencialidades do Nordeste Brasileiro”.
Para garantir que esse ciclo de prosperidade se mantenha forte, o crédito orientado tem sido fundamental. Silvio Carvalho, gerente da jurisdição de Solânea do BNB, esteve presente no encontro de abril e celebrou a união entre tecnologia, sustentabilidade e turismo. “É um momento oportuno para devolver aos produtores um ciclo de prosperidade que agora renasce. O Banco do Nordeste está apoiando esse novo momento, fortalecendo a cadeia produtiva e ajudando o café a recuperar seu papel econômico no território”, explicou.
Os produtores têm acesso a diversas linhas de crédito, como o Pronaf, o FNE Rural e o microcrédito Agroamigo. Os recursos são estrategicamente direcionados para o custeio da produção, aquisição de insumos, compra de equipamentos, instalação de sistemas de irrigação e aprimoramento das etapas de pós-colheita, ampliando a competitividade do café paraibano no mercado.


