O Governo Lucas Ribeiro publicou nesta quinta-feira (29) as exonerações do delegado Braz Morroni de Paiva Júnior e do investigador Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, dos cargos em comissão que ocupavam na Polícia Civil do estado.
Os atos foram publicados no Diário Oficial do Estado e retiram dos dois servidores as funções de confiança exercidas em delegacias especializadas. A medida, porém, não significa demissão ou expulsão automática da Polícia Civil.
Os dois são investigados no âmbito da Operação Perfidus, que apura suspeitas de participação de agentes públicos em um esquema de desvio e comercialização ilegal de drogas apreendidas.
O que é investigado na Operação Perfidus
Braz Morroni atuava na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa. Segundo a investigação, ele é suspeito de utilizar sua posição funcional para proteger integrantes do grupo e de receber valores relacionados à suposta revenda de entorpecentes desviados.
Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, é investigador da Polícia Civil e exercia função de chefia na área de investigação. Conforme as suspeitas descritas no caso, ele teria participado de atividades relacionadas à retirada, ao armazenamento e ao transporte de drogas, além do monitoramento de carregamentos e da manipulação de rastreadores.
As condutas atribuídas aos dois fazem parte da investigação e ainda estão sujeitas à análise judicial. A exoneração dos cargos em comissão não representa, por si só, uma condenação criminal.
Oito investigados respondem à ação penal
A Operação Perfidus foi conduzida em uma ação conjunta da Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), e do Ministério Público da Paraíba (MPPB), por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).
A Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou réus oito investigados. Entre eles estão Braz Morroni, Eduardo Jorge e o agente Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”.
Segundo a acusação, o grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa que teria desviado carregamentos de drogas apreendidas para reinseri-los no comércio ilegal. A denúncia também aponta suspeitas de lavagem de dinheiro e outras irregularidades. As acusações ainda serão examinadas no curso do processo.
Situação judicial dos investigados
Braz Morroni e Eduardo Jorge foram presos em junho de 2026 no contexto da Operação Perfidus. Os dois permanecem custodiados.
Em 25 de setembro, uma decisão que previa a soltura dos investigados em um dos processos foi tornada sem efeito depois que a Justiça constatou a existência de outras ordens de prisão em processos conexos.
As investigações e os processos judiciais seguem em andamento. A perda dos cargos comissionados não encerra a apuração criminal nem representa decisão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.
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