Poucos recursos naturais conseguiram mudar tanto a vida humana quanto o petróleo.
Ele está no combustível que movimenta veículos, na matéria-prima de parte da indústria química e na fabricação de produtos que vão de plásticos a solventes e tintas. Por isso, ganhou o apelido de “ouro negro” e se tornou uma das commodities mais importantes da economia mundial.
O dia 29 de setembro é lembrado em calendários brasileiros como o Dia Mundial do Petróleo. A origem específica dessa data, porém, não aparece claramente documentada em uma resolução internacional. Ela também não consta na lista oficial de dias internacionais da Organização das Nações Unidas.
Isso não diminui a importância da ocasião como ponto de partida para conhecer uma história que ajudou a moldar a sociedade moderna.
Antes do posto de gasolina, veio a geologia
O petróleo é formado a partir de matéria orgânica que ficou soterrada em bacias sedimentares e passou por transformações provocadas por calor, pressão e tempo geológico. Esse processo levou milhões de anos e fez com que o óleo ficasse armazenado em determinadas formações rochosas no subsolo.
Mas o petróleo já era conhecido muito antes da indústria moderna. Povos de diferentes regiões utilizavam afloramentos naturais para fins diversos. A grande transformação ocorreu quando técnicas de perfuração passaram a permitir a retirada do óleo diretamente de reservatórios subterrâneos.
Um dos grandes marcos aconteceu em 1859, perto de Titusville, na Pensilvânia, nos Estados Unidos. O poço perfurado por Edwin Drake é considerado por fontes históricas como o início da produção comercial de petróleo em larga escala.
A partir dali, a região viveu um boom petrolífero e a exploração passou a ganhar escala industrial.
O petróleo ganha o mundo
Com a expansão da indústria e dos motores de combustão, o petróleo passou a ocupar um lugar cada vez maior no transporte e na produção industrial.
A concentração das reservas em determinadas regiões também mudou a relação de forças entre países produtores e consumidores.
Em 1960, Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela criaram, em Bagdá, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). O objetivo era ampliar a cooperação entre países produtores e fortalecer sua atuação diante das grandes transformações do mercado petrolífero.
Hoje, a OPEP possui 12 países-membros. No fim de 2025, eles concentravam cerca de 79% das reservas provadas de petróleo bruto do mundo, segundo os dados mais recentes da própria organização.
A força geopolítica do petróleo ficou especialmente evidente na década de 1970. Em 1973, um embargo de produtores árabes contribuiu para uma forte redução da oferta para alguns países consumidores e ajudou a provocar uma disparada dos preços. O episódio ficou conhecido como a primeira grande crise do petróleo.
E o Brasil entrou nessa história
Por aqui, o petróleo também ganhou importância como questão econômica e estratégica.
A Petrobras foi criada em 3 de outubro de 1953, por meio da Lei nº 2.004, em um período em que o setor era tratado como uma questão de interesse nacional.
Décadas depois, o modelo brasileiro passou por uma transformação. A Emenda Constitucional nº 9, de 1995, permitiu à União contratar empresas estatais ou privadas para atividades antes submetidas ao monopólio estatal. Em 1997, a Lei nº 9.478 criou a ANP e estabeleceu o regime de concessão para a exploração e produção.
Outro capítulo decisivo veio com o pré-sal.
A Petrobras considera 2006 o ano da descoberta comercial do pré-sal, enquanto a linha do tempo da ANP destaca 2007 e a descoberta de Tupi como um dos principais marcos dessa nova fronteira de produção.
A região se transformou em uma das áreas mais importantes da indústria petrolífera brasileira, exigindo tecnologias capazes de produzir petróleo em águas ultraprofundas.
Quanto tempo ainda resta ao petróleo?
É comum aparecer a pergunta: quando o petróleo vai acabar?
Não existe um relógio confiável para responder isso.
A OPEP registrou 1,572 trilhão de barris de reservas provadas de petróleo bruto no mundo ao fim de 2025. No mesmo ano, a produção mundial de petróleo bruto ficou em média em 74,85 milhões de barris por dia.
Uma divisão simples entre esses dois números produziria algo próximo de 58 anos. Mas essa conta não deve ser tratada como uma previsão de esgotamento. Reservas mudam com novas descobertas, tecnologia, preços, condições econômicas e capacidade de produção. Além disso, a própria demanda pode mudar com a expansão de outras fontes de energia e de novas tecnologias.
O cenário atual já mostra essa transformação. Ao mesmo tempo em que o petróleo continua essencial para a economia mundial, países e empresas investem em biocombustíveis, eletrificação e outras alternativas energéticas.
Um recurso que deixou marcas na história
A história do petróleo não é apenas a história de um combustível.
É a história de poços perfurados em pequenas cidades, de ferrovias e automóveis, de grandes empresas, crises internacionais, decisões políticas e tecnologias capazes de chegar a milhares de metros abaixo do mar.
O petróleo ajudou a construir o mundo industrial que conhecemos.
E, mesmo com a busca por novas fontes de energia, o “ouro negro” ainda está longe de ser apenas uma lembrança do passado.
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