Desde 26 de maio, empresas de todo o país precisam se adequar à atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A nova diretriz torna obrigatória a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Com isso, as organizações devem identificar e prevenir fatores que prejudiquem a saúde mental das equipes.
Entre os problemas a serem monitorados estão jornadas exaustivas, sobrecarga de demandas e metas inalcançáveis. Além disso, conflitos internos e pressão excessiva no ambiente de trabalho passam a exigir atenção contínua e medidas preventivas por parte dos empregadores.
Impacto cultural nas corporações
Para a especialista em Gente e Gestão da GHC Incorporações, Ticiana Moura, a atualização promove uma importante transformação cultural. “É uma mudança sutil e profunda, uma revisitação de todo processo produtivo. A ideia é equalizar a performance laboral, ou seja, entregas e produtividade, com qualidade de vida e saúde mental do colaborador”, explica.
A gestora argumenta que os benefícios alcançam todos os níveis da operação corporativa. “As empresas ganham uma cultura mais humanizada, os líderes ampliam o nível de consciência sobre o impacto da liderança na equipe e os próprios colaboradores ganham um ambiente laboral mais saudável, com segurança psicológica”, destaca Ticiana.
Adequação no mercado paraibano
Em João Pessoa, a GHC Incorporações antecipou as exigências da legislação trabalhista. A construtora de empreendimentos de alto padrão realiza diagnósticos especializados de riscos psicossociais desde o início de 2025. Os resultados orientaram a criação de canais de ouvidoria, o aprimoramento da comunicação interna e novos processos na gestão de pessoas.
De acordo com Ticiana Moura, a corporação já possuía uma base humanizada favorável. “O foco agora é manter o controle de dados relativos aos riscos psicossociais e fazer uma gestão com acompanhamento de indicadores. Estamos atentos às melhores práticas nesses aspectos”, pontua a especialista sobre a continuidade das ações internas.
Preparo da liderança e produtividade
O treinamento emocional das chefias é tratado como uma estratégia central para o sucesso da adequação à norma. “Acreditamos que líderes emocionalmente preparados conseguem promover relações mais saudáveis, equipes mais engajadas e ambientes de trabalho mais seguros psicologicamente”, relata a gestora.
Segundo a especialista, esse cuidado reflete diretamente na sustentabilidade do negócio. Ela argumenta que o colaborador em posição de conforto psicológico tende a apresentar maior produtividade e melhora natural na qualidade das entregas diárias.
Para cumprir a NR-1, os empregadores contam com diretrizes do Ministério do Trabalho, mas também podem buscar auxílio no mercado. “As empresas podem contratar um serviço especializado, uma psicóloga organizacional, que aplicará questionários que trarão uma fotografia da percepção do colaborador para as condições de trabalho. A partir daí, podem traçar planos de ação preventivos”, conclui Ticiana.


