O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB), apresentou denúncia criminal contra um delegado e dois investigadores da Polícia Civil apontados como alvos da Operação Perfidus. Protocolada nesta sexta-feira (24), a ação atribui aos investigados os crimes de furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público pede que, em caso de condenação definitiva, os três agentes percam os cargos públicos por incompatibilidade das condutas descritas na denúncia com o exercício da função.
Ministério Público pede bloqueio de bens
As denúncias também incluem pedidos de indenização por danos morais coletivos no valor mínimo de R$ 1 milhão em cada ação, a serem pagos solidariamente pelos denunciados, caso haja condenação.
O Gaeco requer ainda o perdimento dos bens, veículos e ativos financeiros bloqueados durante a investigação, com o objetivo de recuperar recursos que, segundo o Ministério Público, teriam sido obtidos com o desvio de drogas apreendidas.
Na primeira denúncia, o pedido de confisco patrimonial chega a R$ 2,1 milhões, valor correspondente às substâncias que teriam sido desviadas. Na segunda, o pedido envolve aproximadamente R$ 1 milhão, relacionado à suposta apropriação de cerca de 100 quilos de entorpecentes.
Investigação da Operação Perfidus
Segundo o Ministério Público, a Operação Perfidus foi deflagrada em 2 de junho de 2026 para investigar um suposto esquema criminoso envolvendo agentes públicos.
A força-tarefa reuniu integrantes do Gaeco, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e da Unidade de Inteligência Policial (Unintelpol), dentro da Convergência Nacional de combate ao crime organizado.
De acordo com a denúncia, os investigados utilizariam a estrutura da Polícia Civil para desviar drogas apreendidas, alterar registros oficiais e favorecer a comercialização do material ilícito. O Ministério Público afirma ainda que informações sigilosas eram repassadas a integrantes do tráfico.
Operação cumpriu prisões e buscas
Durante a fase ostensiva da investigação, realizada em junho, a Justiça autorizou o cumprimento de nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão.
Também foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados para assegurar eventual reparação de danos e impedir a movimentação de recursos durante o andamento do processo.
As denúncias agora serão analisadas pelo Poder Judiciário, que decidirá sobre o recebimento das ações penais.


