Casas de apostas esportivas notificaram emissoras de televisão e clubes de futebol sobre a possibilidade de romper contratos caso o governo federal imponha regras que inviabilizem ou proíbam a operação do setor no Brasil.
Segundo apuração da Folha de S.Paulo, Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte estão entre as empresas que já avisaram parceiros comerciais. As notificações atingiram veículos como Globo, Band e RedeTV! e clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Até o momento, não há indicação de que os contratos tenham sido efetivamente rescindidos.
A movimentação ocorre enquanto o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discute novas medidas para o mercado de apostas. Em 22 de setembro, representantes da Casa Civil, dos ministérios da Fazenda e da Justiça participaram de uma reunião no Palácio do Planalto para discutir o combate às plataformas ilegais e alternativas de restrição ao setor. Na ocasião, ainda não havia definição sobre o formato da medida.
Pressão sobre a televisão
A possível saída das bets preocupa as empresas de comunicação porque o setor se tornou uma fonte importante de publicidade e patrocínio na televisão.
Segundo a Folha, com dados da empresa de monitoramento Tunad, as casas de apostas movimentaram cerca de R$ 153 milhões em publicidade e cotas de patrocínio na televisão em agosto. O dado aparece em meio a uma redução dos investimentos do setor depois da Copa do Mundo.
Em outro levantamento da Tunad, que comparou dois períodos de 39 dias, o investimento em TV linear caiu de R$ 234,2 milhões durante a Copa do Mundo para R$ 153,5 milhões entre 20 de julho e 27 de agosto.
A Band já mantém um acordo de naming rights com a Novibet no programa Jogo Aberto, que passou a se chamar Jogo Aberto Novibet em janeiro deste ano.
Impacto no futebol
No futebol, o setor de apostas também representa uma parcela relevante das receitas comerciais dos clubes.
Levantamento da consultoria Convocados mostra que os patrocínios das bets aos clubes que disputaram a Série A somaram cerca de R$ 1,03 bilhão em 2025, ante R$ 618 milhões em 2024, crescimento aproximado de 66%. O valor correspondeu a 7,2% das receitas totais de R$ 14,3 bilhões das equipes naquele ano.
Um dos maiores contratos do mercado é o do Flamengo com a Betano. O clube carioca recebe atualmente R$ 268,5 milhões por ano da empresa, em acordo com duração de três anos e quatro meses.
Diante da possibilidade de mudança nas regras, alguns clubes já começaram a sondar possíveis novos parceiros comerciais, segundo a Folha. As notificações das casas de apostas, porém, ainda representam uma possibilidade de rompimento condicionada ao alcance das medidas que venham a ser adotadas.
Governo prepara novas regras
O mercado brasileiro de apostas de quota fixa está atualmente regulamentado. Segundo o Ministério da Fazenda, as apostas esportivas foram legalizadas pela Lei nº 13.756/2018 e os jogos on-line passaram a integrar o mercado regulado pela Lei nº 14.790/2023. Desde 1º de janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas podem operar nacionalmente.
Lula, porém, vem defendendo publicamente o encerramento das bets. Em 23 de setembro, durante um evento no Rio de Janeiro, o presidente afirmou que havia decidido acabar com as plataformas.
Para esta sexta-feira (25), o governo programou um anúncio em São Paulo sobre novas medidas. Até o momento da publicação desta reportagem, a medida provisória específica sobre as bets ainda não aparecia na Resenha Oficial do Diário Oficial da União referente às publicações do dia 25. A extensão das mudanças, o eventual prazo para encerramento das operações e o tratamento dos contratos existentes dependem do texto oficial que vier a ser publicado.


