O Tribunal de Contas da União (TCU) apura indícios de irregularidades na aplicação de aproximadamente R$ 69 milhões em recursos públicos destinados ao Instituto Leo Moura entre 2020 e 2022. As investigações envolvem suspeitas de uso de empresas fantasmas, apresentação de orçamentos falsificados e possível superfaturamento na execução de projetos esportivos financiados com emendas parlamentares.
Segundo informações do Ministério do Esporte, atualmente são analisados 22 termos de fomento firmados com a entidade. Até o momento, 11 prestações de contas foram reprovadas, resultando na abertura de oito tomadas de contas especiais pelo TCU. As informações foram divulgadas inicialmente pelo colunista Demétrio Vecchioli, do portal Metrópoles.
Auditoria aponta irregularidades
As suspeitas foram reforçadas por auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU), concluída em 2024.
O relatório identificou que parte dos recursos foi liberada sem pesquisas adequadas de preços, dificultando a comprovação da compatibilidade dos valores contratados com os praticados pelo mercado.
Durante as inspeções, auditores também verificaram que diversos fornecedores informados pelo instituto não funcionavam nos endereços registrados nos contratos.
Empresas fantasmas e possível superfaturamento
A auditoria também apontou indícios de sobrepreço em aquisições de materiais esportivos, chegando a aproximadamente 70% em alguns contratos.
Além disso, parte dos núcleos esportivos previstos nos projetos não estava em funcionamento durante as fiscalizações realizadas no Rio de Janeiro e no Amapá.
Os auditores ainda identificaram inconsistências no controle dos beneficiários dos projetos, o que dificulta a comprovação da efetiva execução das atividades financiadas com recursos públicos.
TCU determina conclusão das análises
Diante das irregularidades apontadas, o ministro do TCU Weder de Oliveira determinou que o governo federal conclua, em até 180 dias, a análise das prestações de contas ainda pendentes relacionadas ao Instituto Leo Moura.
A investigação busca esclarecer a regularidade da aplicação dos recursos públicos e identificar eventuais responsabilidades administrativas e financeiras.
Em outro trecho do relatório, é mencionado que denúncias anteriores também apontavam possíveis conflitos na gestão administrativa da entidade.
O processo segue em andamento e ainda não há decisão definitiva do Tribunal de Contas da União sobre a responsabilização dos envolvidos.


