O Brasil registra 10,9 milhões de mães solo responsáveis pelos seus domicílios. O volume, apontado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de 2022, ultrapassa o número total de habitantes de países inteiros, como Portugal e Bélgica. O levantamento atesta uma mudança demográfica: as mulheres são a maioria na chefia das famílias brasileiras.
Dados da Sociedade de Economia da Família e do Gênero (GeFam) de 2024 detalham a progressão. Em 2012, as mulheres comandavam 35,7% das residências. Dez anos depois, o índice atingiu 51,1%, o que representa 37 milhões de lares sob responsabilidade feminina, um número superior ao dos homens.
Dentro desse grupo, as mães solo representam 19,6% dos responsáveis por domicílios. Janaína Feijó, da Fundação Getulio Vargas (FGV), explica que o conceito vai além da ausência de um parceiro conjugal. O termo define a realidade de mulheres que assumem, de forma exclusiva, todas as obrigações de sustento financeiro e os cuidados diretos com os filhos.
A chefia feminina de família apresenta recortes de raça e de renda no país. O relatório destaca dois dados estruturais:
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57,7% das mulheres que chefiam lares no Brasil são negras ou indígenas.
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64,4% das pessoas que recebem o Programa Bolsa Família são mulheres responsáveis por suas famílias.
A ausência de divisão de tarefas no ambiente doméstico obriga a conciliação do trabalho remunerado com o cuidado familiar de maneira unilateral. O cenário elimina a especialização intrafamiliar e altera a dinâmica de inserção dessas mulheres no mercado de trabalho.


