Apenas dois dias após vencer as urnas, a recém-iniciada gestão do prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), sofreu um golpe judicial. Na manhã desta terça-feira (14), uma força-tarefa determinou o afastamento imediato do gestor em meio à Operação Cítrico. A ação é uma ofensiva conjunta da Polícia Federal (PF), do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco/MPPB) e da Controladoria-Geral da União (CGU).
O alvo? Uma engrenagem criminosa instalada no coração do poder público municipal.
As investigações miram um esquema complexo que suga os cofres da cidade e fortalece o crime organizado. As autoridades apuram a atuação de uma organização voltada para fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de capitais e, o detalhe mais alarmante, o financiamento direto de facções criminosas.
Como o esquema funcionava:
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Conexão com o Comando Vermelho: O grupo teria contratado de forma fraudulenta empresas fornecedoras de mão de obra. O detalhe é que essas empresas possuiriam vínculo direto com a facção “Tropa do Amigão”, conhecida por ser um braço do “Comando Vermelho”.
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Infiltração na Prefeitura: Os criminosos não agiam apenas de fora. Membros da facção teriam se infiltrado nas estruturas internas da Prefeitura de Cabedelo.
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A máquina a favor do crime: O dinheiro público circulava em favor da organização criminosa. Os contratos milionários não geravam apenas lucro ilícito, mas eram usados como ferramenta para manter poder, influência territorial e garantir uma “blindagem institucional” para os envolvidos.
A Operação Cítrico expôs o que os investigadores chamam de “consórcio”. A teia unia agentes políticos da alta cúpula de Cabedelo, empresários e integrantes da facção criminosa. O objetivo do grupo era claro: garantir a perpetuação de contratos milionários e distribuir vantagens ilícitas com o dinheiro do contribuinte.
O afastamento de Edvaldo Neto (Avante) adiciona mais tensão a um cenário político já instável. O gestor havia sido eleito no último domingo durante uma eleição suplementar. Esse pleito extra, ironicamente, foi convocado justamente para tapar a lacuna deixada pela cassação do ex-prefeito André Coutinho e de sua vice, Camila Holanda. Agora, a cadeira do Executivo municipal volta a ficar vazia e sob a lupa rigorosa da Polícia Federal.


