O município de Cabedelo, localizado na Região Metropolitana da Paraíba, opera sob o monitoramento direto de uma organização criminosa instalada a mais de dois mil quilômetros de distância, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. A estrutura de controle abrange desde câmeras ocultas na rede elétrica da cidade até a infiltração de membros em cargos da administração pública municipal. Os dados constam em uma investigação divulgada pelo programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo (10).
As apurações policiais identificam Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka, como o comandante das operações no território local. O investigado possui 13 mandados de prisão em aberto pelos crimes de tráfico, homicídios e formação de organização criminosa. Ele reside no Rio de Janeiro desde o ano de 2022, após fugir da Paraíba.
A rede de vigilância montada em Cabedelo utiliza câmeras de segurança camufladas dentro de canos metálicos e no meio dos fios de postes de energia. Este sistema fornece ao líder a capacidade de monitorar o fluxo de grupos rivais e antecipar as ações das forças de segurança. Escutas de áudio obtidas pelas autoridades revelam que a facção já elabora planos para expandir sua atuação para o bairro do Bessa, na capital.
A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público da Paraíba (MP-PB) executaram mais de dez operações recentes na cidade com o objetivo de desmantelar o braço financeiro do crime organizado. O cenário administrativo é definido como um “colapso institucional” pelo delegado regional de Polícia Judiciária da PF na Paraíba, João Marcos Gomes Cruz Silva. Para o procurador-geral de Justiça do MP-PB, Leonardo Quintans, a população acaba refém e perde sua liberdade ao ser comandada por um poder paralelo.
O avanço do grupo resultou em interferência no poder executivo de Cabedelo. Os levantamentos apontam um loteamento estratégico de cargos, esquemas de “rachadinhas” e um desvio de recursos públicos que atinge a marca de R$ 270 milhões.
As investigações englobam a gestão dos últimos quatro prefeitos do município:
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Leto Viana: renunciou ao cargo;
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André Coutinho: teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE);
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Edvaldo Neto: foi afastado das funções 48 horas após a eleição;
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Vitor Hugo: tornou-se inelegível.
As frentes de defesa de André Coutinho, Edvaldo Neto e Vitor Hugo declaram inocência de seus clientes e negam qualquer tipo de envolvimento com facções. A defesa de Leto Viana não emitiu resposta sobre as denúncias.


