A decisão de poupar energia e focar no planejamento pode custar caro aos cofres cruzmaltinos. A Conmebol oficializou a abertura de um processo disciplinar contra Renato Gaúcho, técnico do Vasco da Gama, após o comandante não viajar com a delegação para o recente confronto da equipe na Argentina. Agora, o clube enfrenta não apenas o peso de um calendário implacável, mas também a pressão nos tribunais desportivos.
O fator desgaste: por que Renato ficou no Brasil?
“Priorizar a competição não é abrir mão da outra.” Foi com essa premissa que Renato justificou sua decisão nos bastidores. O cenário desenhado pela comissão técnica era o de uma verdadeira maratona logística.
A equipe entrou em campo no sábado, viajou no domingo e tinha retorno previsto apenas para a madrugada de quarta-feira. O grande agravante? Um novo embarque já estava marcado para quinta-feira, desta vez com destino a Belém, para enfrentar o Remo. Segundo o treinador, submeter o grupo a essa sequência anularia qualquer capacidade física de performance no Norte do país.
A realidade nua e crua do elenco
Ao explicar a ausência, Renato tocou em uma ferida conhecida do futebol brasileiro: a profundidade do banco de reservas. O comandante foi cirúrgico ao apontar que clubes com elencos grandes e investimentos robustos conseguem absorver o impacto dessas viagens.
No entanto, para times com opções mais curtas, o preço é alto. Trata-se de um efeito dominó que a comissão técnica tentou evitar: o desgaste físico gera maus resultados, que por sua vez inflamam a pressão das arquibancadas e culminam na demissão de treinadores.
Prazo apertado e o peso da lei
Apesar da justificativa pautada na fisiologia e na sobrevivência no calendário, o Código Disciplinar da Conmebol é rígido quanto às obrigações dos profissionais nos torneios continentais. A entidade não costuma flexibilizar a ausência de técnicos e prevê sanções claras, que vão desde uma advertência formal até multas financeiras pesadas.
Para tentar reverter ou minimizar a punição, o departamento jurídico do Vasco trabalha agora em uma corrida contra o tempo. O prazo para a apresentação da defesa do treinador é inegociável:
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Data limite: 15 de abril.
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Horário final: Até as 13h.
O desfecho nos tribunais definirá se a estratégia matemática da comissão técnica vascaína trará, de fato, prejuízos que vão muito além das quatro linhas do gramado.


