O cenário em João Pessoa já sinaliza uma mudança sazonal que traz consigo um risco invisível, mas de impacto direto nas famílias: o aumento expressivo de casos de síndromes respiratórias entre crianças e adolescentes. A situação acendeu o alerta na saúde pública da Paraíba para doenças graves, exigindo que pais e responsáveis redobrem a vigilância aos primeiros sintomas.
Os números confirmam a urgência do quadro. Levantamentos recentes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) evidenciam uma tendência preocupante de alta nos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no estado. Na capital paraibana, os dados de 2026 já superam os do ano passado. Para se ter uma ideia, durante todo o ano de 2025, foram notificados 132 casos de SRAG causados pela influenza em João Pessoa. Atualmente, as notificações já ultrapassam a marca do mesmo período anterior, comprovando o avanço rápido da circulação viral.
A ameaça da circulação simultânea de vírus
Para a pediatra Ivna Toscano, professora de pós-graduação da Afya Educação Médica, o momento crítico é impulsionado por um fator perigoso: vários vírus estão agindo ao mesmo tempo. “O aumento dos casos está relacionado principalmente a uma maior circulação simultânea de vários vírus respiratórios, como o rinovírus, influenza e o vírus sincicial respiratório, causador da bronquiolite”, detalha a especialista.
A médica traça um raio-x de como esses vírus estão se comportando na Paraíba:
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Rinovírus: É a infecção predominante no momento atual entre crianças e adolescentes no estado.
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Vírus Sincicial Respiratório (VSR): Representa o maior perigo de impacto severo para bebês e crianças menores de dois anos.
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Influenza A: Apresenta casos em ascensão, agravando o cenário de infecções múltiplas.
A disseminação rápida encontra terreno fértil no comportamento social típico desta época. A pediatra ressalta que a aglomeração de pessoas em ambientes fechados e com pouca ventilação natural — como salas de aula de escolas e creches — funciona como um acelerador para a transmissão de pessoa para pessoa.
Quando correr para o hospital? Os sinais de gravidade
Identificar o momento exato de buscar socorro pode ser determinante para a recuperação da criança. A Dra. Ivna Toscano lista os gatilhos de alerta máximo que exigem avaliação médica presencial e imediata:
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Dificuldade evidente para respirar;
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Respiração acelerada ou que exige esforço físico da criança;
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Chiado audível no peito;
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Lábios e extremidades (pontas dos dedos) com coloração arroxeada ou muito pálida;
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Sonolência excessiva ou apatia incomum;
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Febre que não cede e persiste por mais de três dias;
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Piora contínua dos sintomas respiratórios gerais.
Se o quadro evoluir para estágios mais graves, a criança pode apresentar prostração intensa, fraqueza extrema e até mesmo episódios de convulsão. Nessas circunstâncias, o atendimento de emergência não deve ser adiado.
Bloqueando o contágio: A prevenção eficaz
A linha de defesa mais forte ainda está dentro de casa. A especialista da Afya Educação Médica é categórica ao afirmar que evitar o contato com pessoas doentes é a principal trava contra a disseminação.
Se a criança apresentar sintomas, a regra de ouro é o isolamento escolar e social. “O ideal é que crianças com sintomas fiquem afastadas do convívio com outras até pelo menos 24 horas após o fim da febre ou durante cerca de cinco dias de quadro viral”, orienta a pediatra.
Além do isolamento, a barreira de higiene deve ser reforçada com ações contínuas:
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Lavagem frequente e rigorosa das mãos.
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Proibição absoluta de compartilhamento de copos, talheres e itens pessoais.
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Abertura de portas e janelas para garantir a ventilação natural em casa e em ambientes com grande circulação infantil.


