O rádio tem uma característica que atravessa gerações: mesmo quando ninguém aparece na tela, existe uma voz capaz de informar, emocionar, divertir e fazer companhia. Neste sábado (7), o Brasil celebra oficialmente o Dia do Radialista, uma homenagem aos profissionais que ajudam a manter viva uma das formas mais tradicionais de comunicação do país.
A data foi instituída pela Lei nº 11.327, de 24 de julho de 2006, e escolhida em referência ao nascimento de Ary Evangelista Barroso, em 7 de novembro de 1903, na cidade de Ubá, em Minas Gerais. Conhecido internacionalmente pela composição Aquarela do Brasil, Ary também construiu uma trajetória marcante no rádio, como apresentador, humorista, comentarista e locutor esportivo.
Ary Barroso: música, futebol e rádio
A relação de Ary Barroso com a radiodifusão começou em 1932, quando ingressou na Rádio Philips como pianista. O talento musical logo abriu espaço para outras atividades. Ele passou a atuar como locutor esportivo, animador e humorista, participando de programas que conquistaram grande popularidade.
Em 1937, apresentou o programa Hora do Calouro, na Rádio Cruzeiro do Sul, e também ficou associado a atrações como Calouros em Desfile. Mais tarde, integrou a programação da Rádio Tupi, onde trabalhou como comentarista, humorista, ator e responsável pelo departamento de esportes.
Nas transmissões esportivas, Ary desenvolveu uma marca própria: em vez de anunciar os gols apenas com a voz, utilizava uma gaitinha para comunicar que a bola havia entrado. O recurso virou uma de suas características mais conhecidas e ajudou a aproximar o narrador dos ouvintes.
Na música, sua contribuição também atravessou fronteiras. Lançada em 1939, Aquarela do Brasil tornou-se um dos grandes símbolos da música popular brasileira e ajudou a projetar o trabalho do compositor para o público internacional.
Por que existem duas datas para o radialista?
Embora 7 de novembro seja a data oficial estabelecida pela legislação federal, parte dos profissionais e entidades da categoria também mantém a tradição de celebrar o Dia do Radialista em 21 de setembro.
A referência está relacionada ao Decreto-Lei nº 7.984, publicado em 21 de setembro de 1945, durante o governo de Getúlio Vargas. A norma estabeleceu níveis mínimos de remuneração para trabalhadores de empresas de radiodifusão e classificou funções como locutor, produtor, comentarista, redator e repórter.
Em 2017, um projeto de lei propôs recuperar setembro como data nacional da categoria. A proposta avançou na Câmara e recebeu parecer favorável em uma comissão do Senado, mas acabou arquivada em dezembro de 2022. Por isso, a homenagem oficial continua marcada para 7 de novembro, enquanto o 21 de setembro permanece na memória profissional de parte dos radialistas.
Marcos Cunha e a paixão pelo rádio na Paraíba
A história do rádio também é construída por profissionais que encontram no microfone muito mais do que uma oportunidade de trabalho. Na Paraíba, um desses nomes é Marcos Cunha, jornalista e radialista que passou por emissoras como CBN João Pessoa, Manaíra FM e Norte FM, participando de diferentes experiências na programação e no jornalismo radiofônico.
Ao longo de sua trajetória, Marcos manteve uma ligação especial com a profissão. A paixão pelo rádio continua presente mesmo com as mudanças no mercado e com a expansão das plataformas digitais. Para ele, a comunicação não se resume ao equipamento ou ao estúdio: é também a possibilidade de chegar às pessoas, fazer parte da rotina dos ouvintes e contribuir para que a informação circule.
O dia 7 de novembro também tem um significado especial: é a data de seu aniversário. A coincidência aproxima a celebração de sua trajetória pessoal e profissional, construída a partir da paixão pela comunicação e pelo rádio.
Mais do que uma homenagem a uma profissão, é também um momento de olhar para a própria caminhada e renovar a paixão por uma atividade que continua fazendo parte de sua vida, afirma ele.
Muito além da voz no microfone
Por trás de cada programa existe uma equipe que trabalha para que a transmissão chegue ao público. Locutores, apresentadores, operadores de áudio, sonoplastas, produtores, repórteres, redatores, técnicos e profissionais de programação participam de um processo que nem sempre aparece para quem está ouvindo.
Mesmo com a concorrência das redes sociais e dos serviços de áudio sob demanda, o rádio continua encontrando espaço na vida cotidiana. A informação local, a prestação de serviços, a música e a companhia durante o trabalho e os deslocamentos são características que ajudam a explicar sua permanência.
Hoje, as transmissões também chegam pela internet, por aplicativos e por plataformas digitais. O formato mudou, mas a essência permanece: conectar pessoas por meio da informação, da cultura e do entretenimento.
Neste 7 de novembro, a homenagem a Ary Barroso também representa o reconhecimento a todos que fazem o rádio acontecer, diante dos microfones ou nos bastidores. Profissionais que, com técnica, dedicação e paixão, mantêm viva uma comunicação que atravessa gerações.
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