O Brasil lembra nesta sexta-feira (6) o Dia Nacional do Riso. A comemoração é um convite para valorizar o bom humor e refletir sobre a importância das gargalhadas nas relações humanas. Mais do que uma expressão de alegria, o riso também desperta o interesse da ciência por seus possíveis efeitos sobre o organismo e a saúde emocional.
A história da Yoga do Riso
Uma iniciativa internacional que ajudou a popularizar o riso como prática coletiva foi a Yoga do Riso, criada pelo médico indiano Madan Kataria em 1995, na cidade de Mumbai.
O primeiro clube do riso começou em 13 de março daquele ano, em um parque da cidade, com apenas cinco participantes. A proposta combinava exercícios de gargalhada com técnicas de respiração utilizadas na yoga.
O movimento também deu origem à celebração internacional do Dia Mundial do Riso, realizada no primeiro domingo de maio. Essa comemoração é diferente do Dia Nacional do Riso, lembrado no Brasil em 6 de novembro.
O que as pesquisas dizem sobre o riso
O interesse científico pelos efeitos do humor sobre a saúde vem crescendo. Uma revisão sistemática publicada em 2023 reuniu oito estudos, com 315 participantes, e identificou redução média de aproximadamente 31,9% nos níveis de cortisol após intervenções com riso, em comparação com grupos de controle. O cortisol é um hormônio relacionado à resposta do organismo ao estresse.
Outra revisão científica analisou 45 estudos randomizados, com 2.547 participantes, e encontrou resultados positivos de intervenções que estimulavam o riso em indicadores de saúde mental, física e fisiológica. Os pesquisadores, porém, apontaram diferenças importantes entre os estudos, indicando a necessidade de novas pesquisas.
O riso compartilhado também pode favorecer os vínculos sociais. Uma pesquisa realizada com exames de imagem cerebral identificou liberação de opioides endógenos durante situações de riso coletivo. Os pesquisadores apontaram que esse mecanismo pode contribuir para fortalecer relações entre as pessoas, embora o estudo tenha sido realizado com uma amostra pequena.
Humor também chega aos hospitais
O uso do humor em ambientes de saúde ganhou espaço em iniciativas de humanização hospitalar. No Brasil, um dos exemplos mais conhecidos é o Doutores da Alegria, organização fundada em 1991 pelo ator e palhaço Wellington Nogueira.
O grupo utiliza a arte do palhaço para promover encontros e momentos de descontração com crianças, familiares e profissionais em hospitais.
Pesquisas também investigam os resultados dessas intervenções. Uma revisão científica que reuniu 18 estudos e 912 crianças identificou redução da ansiedade entre pacientes pediátricos que tiveram contato com palhaços hospitalares.
Em instituições de longa permanência, um estudo australiano avaliou intervenções de terapia do humor com pessoas idosas, incluindo pacientes com demência. Os pesquisadores observaram redução da agitação em comparação com o grupo que recebeu os cuidados habituais. O resultado não significa que o humor substitua medicamentos ou tratamentos médicos.
Rir também aproxima as pessoas
Além dos efeitos estudados pela ciência, o riso tem uma função importante na convivência social. Compartilhar uma situação engraçada pode aproximar pessoas, facilitar a comunicação e tornar os ambientes mais acolhedores.
No Brasil, o humor também faz parte da identidade cultural, presente no rádio, na televisão, no teatro, na literatura e, mais recentemente, nos espetáculos de stand-up e nas plataformas digitais.
Neste 6 de novembro, o Dia Nacional do Riso lembra que uma gargalhada pode ser muito mais do que um momento de diversão. As pesquisas indicam possíveis benefícios para o bem-estar, enquanto iniciativas de humor e arte mostram como a alegria pode contribuir para relações humanas mais acolhedoras.
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