O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram, neste domingo (18), o primeiro debate entre os candidatos no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Promovido pela Band e retransmitido por veículos parceiros, o encontro foi marcado por acusações pessoais e discussões sobre corrupção, economia, segurança pública e saúde.
A tensão aumentou durante os confrontos diretos, quando os candidatos questionaram a conduta um do outro e trouxeram à discussão investigações envolvendo integrantes de suas famílias. As propostas para o país também entraram em pauta, principalmente nos temas de endividamento das famílias, combate à criminalidade e atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segurança pública e economia
Na área da segurança pública, Flávio Bolsonaro prometeu classificar facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de milícias, como organizações narcoterroristas. O senador também defendeu a ampliação do sistema penitenciário, com a construção de mais de 500 mil vagas, e o uso das Forças Armadas nas fronteiras.
Lula, por sua vez, afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública caso a PEC da Segurança avance no Senado. A proposta, segundo o presidente, ampliaria a atuação do governo federal em conjunto com os estados.
O endividamento das famílias também foi um dos temas centrais. Flávio prometeu congelar as dívidas de pessoas físicas por seis meses e as de empresas por um ano, caso seja eleito. A proposta prevê que o governo compre dívidas bancárias para suspender temporariamente os pagamentos.
Lula citou a nova fase do programa Desenrola, que prevê a compra de dívidas bancárias com descontos da ordem de 90%. O presidente também defendeu os resultados econômicos de sua gestão e questionou se o adversário pretende adotar medidas semelhantes às do presidente argentino Javier Milei.
Acusações de corrupção e troca de provocações
Um dos principais momentos do debate envolveu o banqueiro Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Lula cobrou de Flávio explicações sobre R$ 134 milhões que o senador teria solicitado ao banqueiro para financiar a produção.
Flávio afirmou que o dinheiro seria destinado ao filme e, por sua vez, mencionou uma suposta referência a pagamentos de R$ 30 milhões ao Instituto Lula.
O candidato do PL também questionou Lula sobre Roberta Luchsinger, investigada no caso de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e sobre o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Lula respondeu que as investigações cabem à Polícia Federal e afirmou que o filho disponibilizou dados bancários e telefônicos para apuração.
Em outro momento, Lula propôs que os dois candidatos abrissem os sigilos bancários e telefônicos de suas famílias e entregassem as informações aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes da votação.
A movimentação de Flávio pelo palco também contribuiu para o clima de tensão. As regras permitiam que os candidatos circulassem pelo estúdio, mas os deslocamentos do senador atrás de Lula provocaram reclamações durante o programa.
Saúde e propostas para o SUS
Na discussão sobre saúde, Flávio prometeu criar um prontuário eletrônico único vinculado ao CPF de cada cidadão e afirmou que o SUS teria um padrão de atendimento semelhante ao do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Lula questionou a viabilidade da proposta e sugeriu que o adversário não conhecia a realidade cotidiana da rede pública. O presidente também criticou a condução da pandemia de Covid-19 pelo governo de Jair Bolsonaro.
Ao responder às críticas, Flávio reconheceu que a saúde não apresentou os melhores resultados durante a gestão de seu pai e fez um mea-culpa sobre a atuação do governo na pandemia. O senador, porém, também lembrou que a gestão anterior comprou vacinas utilizadas no país.
Interrupções e direitos de resposta
A plateia precisou ser advertida pelos mediadores em diferentes momentos, e o cronômetro foi interrompido durante o programa para restabelecer o silêncio. Flávio Bolsonaro fez pedidos de direito de resposta e um deles foi concedido no primeiro bloco.
O debate evidenciou as diferenças entre os candidatos em temas econômicos e sociais, mas as trocas de acusações pessoais ocuparam parte significativa do confronto. O próximo debate presidencial antes do segundo turno está previsto para 23 de outubro, na TV Globo.
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