Neste domingo (11), o mundo celebra o Dia Internacional da Menina, uma data criada para dar visibilidade aos direitos de crianças e adolescentes do sexo feminino e aos desafios que enfrentam por causa da idade e da desigualdade de gênero.
A origem da comemoração está em uma mobilização internacional que buscava incluir as meninas de forma mais explícita nas discussões sobre direitos humanos, educação e igualdade. Em 19 de dezembro de 2011, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução 66/170, que estabeleceu oficialmente o 11 de outubro como Dia Internacional da Menina. A primeira celebração ocorreu em 2012.
Como surgiu a data
A iniciativa foi impulsionada pela Plan International, organização que promoveu uma campanha internacional ao lado de meninas e contou com o apoio do governo canadense. Rona Ambrose, que era ministra responsável pelo Estatuto da Mulher no Canadá, participou da mobilização para levar a proposta às Nações Unidas.
A intenção era dar maior visibilidade às questões específicas enfrentadas pelas meninas, incluindo desigualdade de acesso à educação, violência, casamento precoce e pouca participação nas decisões que afetam suas vidas.
A campanha Because I am a Girl, da Plan International, foi lançada em 2012, no ano da primeira celebração oficial. Desde então, o 11 de outubro passou a reunir iniciativas de governos, organizações sociais e comunidades para defender os direitos das meninas e ampliar suas oportunidades.
Por que o casamento infantil está no centro do debate
Em 2026, a campanha internacional tem como tema “Acabar com o casamento infantil e investir nos direitos das meninas”. A proposta chama a atenção para uma prática que compromete a educação, a saúde e a autonomia de milhões de jovens.
Segundo estimativas da UNICEF, mais de 12 milhões de meninas se casam antes dos 18 anos a cada ano. Isso equivale a aproximadamente um caso a cada três segundos. A maior prevalência regional está na África Subsaariana, onde o indicador chega a 31%.
O problema também aparece no número acumulado de mulheres e meninas vivas hoje que se casaram durante a infância: cerca de 650 milhões, aproximadamente uma em cada cinco no indicador global apresentado pela organização.
O casamento infantil pode interromper a trajetória escolar, limitar oportunidades profissionais e aumentar a exposição à violência e a riscos de saúde. Por isso, a UNICEF defende medidas que mantenham as meninas na escola, ampliem o acesso a serviços de proteção e saúde e fortaleçam a segurança econômica das famílias.
Educação, violência e desigualdade
A desigualdade também aparece nos indicadores de educação e trabalho. A UNICEF informa que meninas de 15 a 19 anos têm duas vezes mais probabilidade do que os meninos de não estudar, trabalhar ou participar de formação profissional.
Em contextos frágeis, afetados por conflitos e violência, a proporção de meninas fora do ensino secundário é quase 90% maior do que em contextos estáveis. O dado mostra como crises e deslocamentos podem agravar barreiras que já limitam o acesso à educação.
A violência é outra preocupação. De acordo com a UNICEF, quase uma em cada quatro meninas de 15 a 19 anos que já foram casadas ou tiveram parceiro relata ter sofrido violência por parte de um parceiro íntimo ao longo da vida.
Esses indicadores não descrevem a realidade de todas as meninas, mas ajudam a mostrar a dimensão dos desafios enfrentados em diferentes países e comunidades.
Avanços mostram que a mudança é possível
Apesar dos obstáculos, a trajetória das últimas décadas também registra avanços. Investimentos em educação, reformas legais e políticas de proteção social ajudaram a evitar uma estimativa de 68 milhões de casamentos infantis nos últimos 25 anos, segundo a UNICEF.
A data, portanto, não se limita a chamar a atenção para problemas. Também busca estimular medidas concretas para que meninas possam continuar estudando, acessar serviços de saúde e proteção, participar das decisões que afetam suas vidas e escolher seu próprio futuro.
Mais de uma década depois da decisão da ONU, o Dia Internacional da Menina continua sendo um marco para lembrar que a igualdade de direitos depende não apenas de leis, mas também de políticas públicas, oportunidades e condições reais para que cada menina cresça com segurança, educação e autonomia.
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