O rádio brasileiro tem mais de um século de história, mas só recentemente ganhou uma data oficial própria no calendário nacional. O Dia Nacional do Rádio é celebrado em 25 de setembro, aniversário de Edgard Roquette-Pinto, um dos principais nomes da implantação e consolidação da radiodifusão no Brasil.
A data foi instituída pela Lei nº 15.101, sancionada em 13 de janeiro de 2025. A norma estabeleceu que o Dia Nacional do Rádio seria comemorado anualmente em 25 de setembro. Portanto, a celebração oficial começou em 2025, e 2026 marca o segundo ano da data no calendário instituído por lei.
A escolha não foi por acaso. Roquette-Pinto nasceu em 25 de setembro de 1884 e ficou conhecido como o “pai da radiodifusão no Brasil”. Médico e antropólogo, ele enxergou no rádio uma possibilidade de levar educação, cultura e informação a públicos que os meios tradicionais tinham dificuldade de alcançar.
A voz que chegou pelo ar
A história do rádio no Brasil começou oficialmente antes mesmo da existência da primeira emissora nacional. Em 7 de setembro de 1922, durante as comemorações do Centenário da Independência, uma estação instalada no Rio de Janeiro transmitiu o discurso do então presidente Epitácio Pessoa e apresentações musicais.
A transmissão utilizou uma estação de transmissão instalada no Corcovado e alcançou receptores instalados no Rio de Janeiro, Niterói, Petrópolis e São Paulo. A iniciativa fez parte da Exposição Internacional do Centenário da Independência.
Aquele episódio é considerado a primeira transmissão radiofônica oficial brasileira. Ainda assim, o rádio não nasceu pronto naquela noite. O país continuou realizando experiências e transmissões amadoras até que o meio começasse a ganhar uma estrutura permanente.
Roquette-Pinto e a primeira emissora
Em 20 de abril de 1923, Roquette-Pinto, Henrique Morize e outros pesquisadores da Academia Brasileira de Ciências fundaram a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. A emissora passou a realizar transmissões experimentais e, naquele mesmo ano, entrou em funcionamento de forma regular.
A rádio tinha uma proposta diferente do modelo comercial que dominaria parte do setor anos depois. A ideia era utilizar a nova tecnologia para difundir conhecimento, cultura e educação.
Roquette-Pinto permaneceu ligado à emissora até 1936, quando a Rádio Sociedade foi doada ao Ministério da Educação. A instituição se tornou a atual Rádio MEC, que preserva parte dessa história e segue com programação voltada principalmente à cultura e à música.
Da sala de estar ao celular
O rádio rapidamente deixou de ser uma novidade tecnológica para se transformar em um dos principais meios de comunicação de massa do país.
Na década de 1930, o veículo ganhou programação mais diversificada e passou a incorporar publicidade. Vieram as radionovelas, os programas de auditório, os humorísticos, as transmissões esportivas e as grandes coberturas jornalísticas. O meio alcançou públicos cada vez maiores e se tornou parte do cotidiano brasileiro.
A televisão, depois a internet e, mais recentemente, as plataformas de streaming mudaram a maneira de consumir conteúdo. O rádio, porém, não desapareceu. Ele passou a ocupar também computadores, celulares, aplicativos e plataformas digitais.
O Inside Audio 2024, da Kantar IBOPE Media, mostra essa transformação. O levantamento aponta que 91% dos brasileiros consomem algum formato de áudio no dia a dia. Quando considerado especificamente o rádio, o alcance foi de 79% da população, e os ouvintes dedicaram, em média, 3 horas e 55 minutos por dia ao meio.
A própria pesquisa destaca que a expansão digital não eliminou o rádio, mas ampliou suas formas de distribuição. Algumas emissoras passaram a combinar a transmissão pelo dial com streaming, aplicativos e outros ambientes digitais.
Por que 25 de setembro?
Antes de existir uma lei federal específica, 25 de setembro já aparecia em calendários e comemorações relacionadas à história da radiodifusão. A escolha da data ganhou finalmente caráter oficial em 2025, quando o Congresso aprovou o projeto apresentado pelo Poder Executivo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.101.
O projeto começou a tramitar em 2022, sob o número PL 2.469/2022. No Senado, a Comissão de Educação e Cultura aprovou a proposta em dezembro de 2024, com o senador Marcos Pontes atuando como relator ad hoc na reunião que concluiu a análise da matéria.
A escolha de 25 de setembro, portanto, conecta a legislação atual à memória de um personagem que ajudou a transformar uma novidade tecnológica em ferramenta de educação, cultura e comunicação.
Mais de 100 anos depois das primeiras transmissões, o rádio continua mudando de formato sem abandonar aquilo que marcou sua origem: chegar até as pessoas onde elas estão.


