O cantor e compositor piauiense Roberto Müller morreu nesta quinta-feira (24), aos 89 anos, no Recife. Conhecido pelo repertório romântico e pelo apelido de “Romântico Pingo de Ouro do Brasil”, o artista construiu uma carreira de mais de seis décadas e recebeu seis discos de ouro ao longo da trajetória.
A causa da morte não foi divulgada oficialmente até a publicação desta matéria. O velório será realizado nesta sexta-feira (25), a partir das 8h, no Cemitério de Santo Amaro, no Recife. O sepultamento está previsto para as 14h, no mesmo local, segundo informações divulgadas com base em familiares do artista.
Do Piauí ao rádio e à projeção nacional
Roberto Müller nasceu em 17 de fevereiro de 1937, em Piracuruca, no Norte do Piauí. Seu nome de batismo era José Ribamar da Silva.
A carreira artística começou em 1955, na Rádio Timbira, em São Luís, no Maranhão. Na década de 1960, ele se mudou para o Rio de Janeiro em busca de novas oportunidades e passou por emissoras como Excelsior, Nacional e Mayrink Veiga.
Foi em 1963 que sua projeção nacional ganhou força. Naquele ano, Roberto Müller entrou de vez no mercado fonográfico e gravou “Nunca Mais Brigarei Contigo”, uma das músicas que marcariam sua trajetória. “Entre Espumas” também se tornou uma das canções mais associadas ao cantor.
A carreira se estendeu por diferentes décadas, com dezenas de discos gravados e seis discos de ouro. Na televisão, Müller recebeu de Chacrinha o título de “O Romântico Pingo de Ouro do Brasil”, apelido que acabou se incorporando à sua identidade artística.
Uma vida ligada ao Recife
Depois de anos de atuação entre rádio, televisão e mercado fonográfico, Roberto Müller escolheu o Recife para viver. Ele já morava na capital pernambucana havia cerca de três décadas e continuava mantendo ligação com o público nordestino.
Mesmo após o período de maior exposição nacional, suas músicas continuaram circulando em rádios, bares, festas, coletâneas e plataformas digitais. A reportagem do Farofafá também registrou a permanência de um público fiel em cidades de Pernambuco, da Paraíba e do Piauí.
A trajetória do cantor ainda guarda um episódio curioso. Em 2002, um livro didático publicado pela Secretaria de Educação do Piauí informou, incorretamente, que Roberto Müller havia morrido. O próprio artista descobriu o erro quando um fã mostrou a publicação durante um show em Teresina. A informação errada chegou a circular durante anos e levou Müller a buscar reparação judicial contra o governo do estado.
A história agora ganha um desfecho real, mais de duas décadas depois daquela publicação equivocada. Roberto Müller morre aos 89 anos, deixando um repertório ligado à música romântica e uma carreira construída ao longo de mais de seis décadas.


