O deputado federal Cabo Gilberto (PL-PB) e a deputada estadual Cida Ramos (PT-PB) defenderam nesta quarta-feira (2) a saída dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF). As manifestações ocorreram após a divulgação de novas informações da Polícia Federal sobre contatos entre integrantes da Corte e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master.
Embora pertençam a campos políticos opostos, os dois parlamentares paraibanos fizeram críticas semelhantes aos ministros. Não se trata, porém, de uma posição conjunta formal do PT e do PL da Paraíba, mas de manifestações individuais de seus representantes.
Cabo Gilberto cobra afastamento de Moraes
Durante entrevista ao programa Correio Debate, da Rede Correio SAT, Cabo Gilberto afirmou que Alexandre de Moraes não teria mais condições de permanecer no STF. O parlamentar também pediu o afastamento do ministro em uma iniciativa da oposição apresentada ao Congresso.
Ao comentar o relatório da PF, o deputado acusou Moraes de ter atuado em benefício próprio em razão de sua relação profissional com o Banco Master e com Vorcaro.
As declarações de Cabo Gilberto são interpretações políticas sobre os elementos reunidos pela investigação. O relatório da PF aponta que Moraes manteve contatos com Vorcaro e que o nome do ministro aparece relacionado a alterações em um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Cida Ramos também defende renúncia
Cida Ramos, presidente estadual do PT na Paraíba, também defendeu a saída de Moraes. A parlamentar, no entanto, incluiu André Mendonça entre os ministros que, na avaliação dela, deveriam deixar o cargo.
“Que o envolvimento não é só de Moraes, é de Mendonça também. As notícias agora, pela manhã, são preocupantes. Recebeu Vorcaro, né, no seu escritório particular, então defendo, de imediato, a renúncia de Mendonça e de Moraes”, declarou durante a entrevista.
Mendonça é o relator do caso relacionado ao Banco Master e reconheceu ter se reunido com Vorcaro fora das dependências do STF. O ministro também determinou a retirada do sigilo do material produzido pela PF e afirmou que pretende levar a questão ao plenário da Corte.
O que aparece nas mensagens da PF
As novas informações foram extraídas de celulares de Daniel Vorcaro apreendidos pela Polícia Federal. Segundo o relatório divulgado, há registros de contatos entre o ex-banqueiro e Alexandre de Moraes, incluindo questionamentos sobre as investigações e sobre a possibilidade de Vorcaro deixar o país antes de ser preso.
Uma das mensagens mostra Vorcaro perguntando a Moraes se deveria estar fora do Brasil antes da prisão. O conteúdo aumentou a pressão política sobre o ministro, mas, isoladamente, não comprova que Moraes tenha avisado previamente o ex-banqueiro sobre uma operação policial.
O relatório também menciona pelo menos seis encontros entre Moraes e Vorcaro e registra alterações em documentos relacionados ao contrato entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro. Moraes não se manifestou sobre as novas revelações nas reportagens consultadas.
O caso continua em disputa institucional. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório, enquanto André Mendonça pretende levar a discussão ao plenário do STF.


