O senador Flávio Bolsonaro protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para afastar o ministro Alexandre de Moraes. A defesa solicita que o magistrado seja declarado suspeito para julgar casos envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master. A ação ocorre enquanto o banqueiro, preso em Brasília, negocia um segundo acordo de delação premiada com a Polícia Federal.
A movimentação jurídica responde diretamente a uma medida anterior de Alexandre de Moraes. O ministro encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido do deputado Lindbergh Farias para investigar supostas ligações financeiras entre o banqueiro e o senador. A suspeita central recai sobre o repasse de recursos destinados à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Repasses e justificativa
Para justificar o impedimento, os advogados de Flávio Bolsonaro apontam uma relação exposta entre o banco investigado e a esposa do ministro. Dados da Receita Federal indicam que o Banco Master pagou R$ 80 milhões ao escritório de Viviane Bárcia de Moraes. O repasse financeiro foi direcionado ao pagamento de serviços de consultoria jurídica.
Por meio de notas oficiais, a banca de advocacia negou qualquer condução de causas para a instituição financeira no âmbito do STF. O escritório esclareceu que os serviços envolveram uma equipe de 15 advogados e quase 80 reuniões presenciais com gerências de compliance e superintendência. Além disso, ocorreram 13 encontros com a presidência do banco, atestando a regularidade comercial das atividades.
Com base nesse cenário, a defesa do parlamentar requer a retirada da petição de Lindbergh Farias das mãos de Alexandre de Moraes. O objetivo é que o documento seja redistribuído para o ministro André Mendonça. Atualmente, Mendonça atua como relator oficial das apurações sobre fraudes no INSS associadas ao Banco Master na Corte.
Acordo de delação e bastidores
O avanço das investigações intensificou um clima de acusações mútuas no Congresso Nacional. Opositores e governistas buscam vincular seus adversários políticos à figura do empresário investigado. Paralelamente, a nova delação negociada por Vorcaro deve conter um capítulo específico chamado “Dark Horse”, título provisório da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Esse trecho do acordo deverá detalhar as transações financeiras e os principais investidores atrelados ao projeto do qual o banqueiro participou. A defesa de Flávio Bolsonaro ressaltou que não realiza juízo de valor sobre a proximidade entre o ministro e o empresário. Contudo, o próprio senador mantém um histórico de mensagens trocadas com Vorcaro a respeito do apoio financeiro à produção do longa-metragem.
Agora, o pedido protocolado pela defesa do parlamentar aguarda uma manifestação oficial do Supremo Tribunal Federal. A Corte precisará definir se mantém a relatoria dos atos correlatos centralizada ou se determina o redirecionamento definitivo das petições para André Mendonça.


