Parlamentares da oposição protocolaram um novo pedido de impeachment contra o ministro Gilmar Mendes. A rápida articulação no Congresso Nacional ocorreu como resposta imediata à decisão do magistrado de acionar a Corte para que o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, seja investigado.
O estopim para a mais recente crise institucional foi uma publicação nas redes sociais do político mineiro. Zema compartilhou um vídeo satírico em que fantoches, representando Gilmar Mendes e o ministro Dias Toffoli, simulavam uma negociação de favores. No roteiro da peça humorística, o perdão a quebras de sigilo aprovadas por uma CPI era trocado por estadias pagas em um resort.
Em reação ao conteúdo, que atingiu centenas de milhares de visualizações, Gilmar Mendes enviou uma notícia-crime ao ministro Alexandre de Moraes, solicitando que o ex-governador seja incluído como investigado no inquérito das fake news. O pedido foi encaminhado por Moraes para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR) e tramita sob sigilo.
A ofensiva jurídica de Gilmar Mendes acontece em meio a uma série de duros ataques públicos feitos por Romeu Zema contra a cúpula do Judiciário. Nas últimas semanas, o pré-candidato à Presidência elevou o tom, referindo-se aos magistrados como “intocáveis” e afirmando que o Supremo teria se tornado um “balcão de negócios”. Em um de seus discursos recentes, Zema chegou a declarar que os ministros Moraes e Toffoli não mereciam apenas um processo de impeachment, mas sim a prisão.
Diante do pedido de investigação formalizado por Gilmar, a base oposicionista no Congresso decidiu agir. Embora os parlamentares tenham consciência de que o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já indicou claramente que não pretende dar andamento a processos de cassação contra ministros do STF nesta legislatura, o movimento é considerado estratégico. A intenção do grupo é marcar posição, criando um registro institucional contínuo contra atitudes que classificam como abusos de autoridade.


