Nesta segunda-feira (20), o presidente interino da Câmara Municipal, vereador Wagner Do Solanense (PV), publicou um ato determinando um verdadeiro pente-fino nas contas do Legislativo. A medida instaura uma revisão administrativa completa em todos os contratos de prestação de serviços vigentes e suspende preventivamente a liberação de novos pagamentos e aditivos.
O objetivo da manobra, segundo o documento oficial, é certificar a regularidade administrativa, a legalidade e a economicidade da gestão. Na prática, a revisão busca barrar pagamentos indevidos, evitar a sobreposição de serviços e corrigir quaisquer inconsistências que possam comprometer o dinheiro público.
Para garantir que a auditoria interna seja célere, o ato presidencial impõe um prazo rígido: os gestores responsáveis têm apenas 48 horas para apresentar relatórios detalhados sobre cada contrato sob sua supervisão. O dossiê deverá conter o objeto contratado, os valores já desembolsados, o saldo restante, o nível de execução dos serviços e o mapeamento de eventuais riscos operacionais.
Como medida de cautela imediata, o presidente interino travou a máquina de gastos. A partir da publicação do ato, estão suspensos:
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Emissão de novas ordens de serviço e requisições;
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Autorizações para ampliações de objetos contratuais;
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Assinaturas de aditivos (como renovações, reajustes e prorrogações);
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Início de novos pagamentos para obrigações que ainda estejam em fase de verificação.
Apesar da paralisação nos contratos, a Câmara garantiu que as atividades não serão interrompidas. A suspensão de pagamentos não se aplica a serviços considerados essenciais para o andamento do Legislativo. Estão blindados o setor de segurança institucional, a integridade patrimonial, a manutenção predial e as demandas administrativas indispensáveis para o funcionamento da Casa.
A devassa nos contratos ocorre em um momento de transição e turbulência política na cidade. Wagner Do Solanense assumiu o comando do Legislativo cabedelense na semana passada, preenchendo a vaga do vereador José Pereira (Avante). Pereira, por sua vez, precisou deixar a presidência da Câmara para assumir como prefeito interino de Cabedelo.
Essa dança das cadeiras foi provocada pelo afastamento do então vereador Edvaldo Neto (Avante), alvo da Operação Cítricos, deflagrada pela Polícia Federal.
Apesar do clima de tensão na cidade, o documento assinado por Wagner Do Solanense não faz qualquer menção direta à Operação Cítricos. O texto oficial omite as apurações sobre a suposta interferência de facções criminosas na gestão do Legislativo — fato que foi expressamente citado pelo desembargador Ricardo Vital, do Tribunal de Justiça, ao autorizar a operação policial. Para o novo comando da Câmara, oficialmente, o foco é apenas colocar a casa em ordem.


