A música pop nacional acaba de perder um de seus maiores arquitetos. Faleceu nesta segunda-feira (13), vítima de um infarto agudo do miocárdio, o produtor musical, DJ e compositor Mister Sam. A triste notícia foi confirmada pela cantora Gretchen, uma das maiores descobertas de sua carreira, marcando a despedida de um nome que redefiniu o mercado fonográfico e as noites brasileiras.
Nascido Santiago Malnati, o argentino Mister Sam desembarcou no Brasil em 1973 e rapidamente encontrou um mercado prestes a explodir. Com um faro afiado para o sucesso, ele enxergou o imenso potencial dos artistas locais para brilhar, inclusive, em circuitos internacionais. Sua estratégia era inovadora para a época: injetar no Brasil uma estética totalmente voltada para as pistas de dança e altamente atrativa para os programas de televisão.
O divisor de águas de sua trajetória aconteceu em 1978, quando lançou o compacto Dance With Me em parceria com Gretchen. O estrondoso sucesso não apenas catapultou a carreira da cantora, mas carimbou de vez o nome de Mister Sam como o grande cérebro por trás do universo pop e dançante no país.

A fórmula não parou por aí. Ao longo das décadas seguintes, sua assinatura esteve presente nos trabalhos de figuras icônicas que dominaram a cultura de massa, como Nahim, Rita Cadillac e o grupo Black Juniors. Além dos estúdios, sua passagem pela emblemática Copacabana Discos foi crucial para exportar a música brasileira para o mundo.
A energia de Mister Sam transcendia as mesas de mixagem dos estúdios. Ele sabia dominar o público ao vivo, atuando como DJ em megaeventos históricos, incluindo a explosão do réveillon do Rio de Janeiro ao lado da equipe Furacão 2000.
O peso de sua contribuição para a cultura fonográfica foi eternizado na literatura. No livro Todo DJ Já Sambou, a jornalista Claudia Assef destaca o produtor como uma peça fundamental na construção de um pop brasileiro autêntico — aquele que pegou referências de ponta internacionais e as misturou cirurgicamente com a nossa identidade local.
Mister Sam parte, mas deixa um legado cravado na história: o de um homem com olhar visionário que, literalmente, ensinou o Brasil a dançar.


