Onde a dor muitas vezes encontrava barreiras e burocracia, agora existe escuta e proteção. O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) deu um passo decisivo no enfrentamento à violência de gênero com a inauguração de mais uma Sala Lilás, um ambiente criado para receber mulheres vítimas de abusos de forma humanizada e segura. A iniciativa é um braço do programa “Antes que Aconteça”, que visa frear estatísticas alarmantes e oferecer suporte real e imediato.
A nova estrutura foi pensada detalhadamente para reduzir os danos emocionais das vítimas, garantindo privacidade, conforto e amparo institucional no momento em que elas mais precisam do Estado.
Do acolhimento à reintegração: o fim do silêncio
Não se trata apenas de um espaço físico, mas de um protocolo de sobrevivência. Segundo a senadora Daniella Ribeiro, uma das vozes à frente da coordenação do programa, a entrega da sala simboliza um avanço inegável para que nenhuma mulher fique desassistida.
O alerta do STJ: a barbárie não pode ser naturalizada
O peso institucional da entrega ganhou reforço com a manifestação do ministro-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin. Com um posicionamento incisivo, o magistrado tocou na ferida da aceitação velada da violência pela sociedade.
Para Benjamin, a criação de espaços como a Sala Lilás dialoga diretamente com o dever de enfrentar agressões em todas as suas esferas.
Como a rede de proteção funciona na prática?
A proposta do TJPB não é centralizar o serviço, mas pulverizá-lo. O presidente do Tribunal, desembargador Fred Coutinho, sinalizou que a meta é expandir a iniciativa para outras unidades judiciais do estado, criando um cinturão de proteção.
Na linha de frente do atendimento, a juíza Graziela Queiroga explicou como essa engrenagem funciona no dia a dia. O atendimento segue um protocolo rigoroso que envolve:
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Acolhimento qualificado: A vítima é recebida em um ambiente reservado que evita a revitimização.
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Avaliação precisa: Profissionais capacitados analisam a gravidade e o contexto de cada caso.
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Medidas de proteção: Acionamento rápido das ferramentas legais necessárias para afastar o agressor e garantir a segurança da mulher.


