Após dez dias de paralisação e muita apreensão por parte dos pacientes, a rotina de saúde voltou a pulsar nos dois maiores polos de atendimento universitário do estado. Os serviços no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), em João Pessoa, e no Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande, foram integralmente retomados a partir das 13h desta quarta-feira (08).
A greve, que havia sido deflagrada no último dia 30 de março, chegou ao fim. Mas, se você pensa que a volta ao trabalho aconteceu porque os servidores paraibanos ficaram plenamente satisfeitos com as negociações, os bastidores revelam uma história bem diferente.
O conflito: Por que a Paraíba votou contra?
O fim do movimento não foi uma escolha comemorada localmente, mas sim o reflexo de uma decisão nacional. A base de profissionais da Paraíba votou contra o encerramento da greve, mas foi voto vencido pela maioria dos outros estados.
João Carlos Pita, diretor do Sindicato dos Trabalhadores de Empresas Públicas de Serviços Hospitalares na Paraíba (Sindserh-PB), foi direto ao ponto. O grande obstáculo para o acordo local foi o texto proposto para o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Segundo o sindicalista, a redação do documento ignora e desconsidera direitos e conquistas que a categoria já havia garantido no passado.
Apesar da resistência e da insatisfação justificada dos trabalhadores paraibanos, a decisão nacional prevaleceu, forçando a retomada dos serviços e garantindo o alívio imediato para milhares de cidadãos que dependem de exames, cirurgias e consultas.
O que ficou decidido no Tribunal Superior do Trabalho (TST)?
O acordo que selou o fim da greve em todo o país foi costurado diretamente no TST e definiu os seguintes avanços financeiros e sociais para os profissionais de saúde:
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Reposição Financeira: Reajuste salarial com aplicação de 100% do INPC (baseado na inflação a partir de junho de 2026);
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Benefícios valorizados: O auxílio-alimentação, a assistência médica e odontológica, além do auxílio-escolar e do suporte para pessoas com deficiência, também passarão por reajuste baseado no INPC;
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Pautas Sociais: Foram incluídas melhorias nas políticas de combate ao assédio, ações afirmativas, proteção à mulher, além de regras mais flexíveis para férias, maternidade, paternidade e acompanhamento de dependentes;
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Dias Parados: A conta da paralisação ficou dividida. 50% dos dias em que os servidores cruzaram os braços serão perdoados (abonados) e os outros 50% precisarão ser compensados dentro das regras do atual banco de horas.


