A menos de uma hora do fim do ultimato militar dos EUA, acordo mediado pelo Paquistão suspende bombardeios e promete reabrir o Estreito de Ormuz. De um lado, Trump declara “vitória total”; do outro, Irã comemora “derrota histórica” do inimigo.
A iminência de uma escalada catastrófica e sem precedentes no Oriente Médio foi pausada. Faltando pouco mais de uma hora para o fim do prazo de um ultimato americano que prometia destruir a infraestrutura do Irã e mandar o país “de volta à Idade da Pedra”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mudou a rota. Na noite desta terça-feira (7), a Casa Branca confirmou um cessar-fogo bilateral com duração inicial de duas semanas.
A suspensão da força destrutiva não veio por acaso. A diplomacia agiu nas sombras, liderada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. O premiê paquistanês fez um apelo direto a Trump para que concedesse uma trégua de 15 dias, dando fôlego para que as arestas fossem aparadas de forma diplomática.
A contrapartida para frear a máquina de guerra americana — e garantir também a adesão de Israel à pausa nos bombardeios — foi comercial. O Irã comprometeu-se a reabrir o Estreito de Ormuz, a artéria mais importante do mundo para o transporte de petróleo, cujo bloqueio vinha gerando caos e interrupções históricas nos mercados globais. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, confirmou que a passagem segura será permitida mediante coordenação de suas forças armadas.
O jogo de narrativas: quem realmente venceu?
Com o dedo fora do gatilho, a batalha agora é pela opinião pública e pela demonstração de força. As duas nações reivindicam o triunfo deste recuo estratégico:
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A versão dos EUA: Trump usou suas redes sociais para declarar uma “vitória total e completa”. Segundo o presidente americano, os objetivos militares já foram “cumpridos e superados”. Ele revelou ainda que uma proposta de 10 pontos apresentada por Teerã servirá como base viável para selar um acordo de paz definitivo e de longo prazo.
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A versão do Irã: Para o regime iraniano, o recuo soou como fraqueza. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã emitiu um comunicado incisivo afirmando que os Estados Unidos sofreram uma “derrota inegável, histórica e esmagadora”. A Guarda Revolucionária, que já havia desafiado o ultimato afirmando ter fôlego para mais seis meses de guerra ininterrupta, celebrou a sobrevivência de sua infraestrutura.



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