O Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla é lembrado neste domingo (30). A data foi criada em 2006 para ampliar o conhecimento sobre a doença, chamar atenção para seus sinais e reforçar a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.
A comemoração foi instituída pela Lei nº 11.303, de 11 de maio de 2006, que definiu oficialmente o dia 30 de agosto como a data nacional dedicada à conscientização sobre a esclerose múltipla.
Por que 30 de agosto?
Além da criação legal da data, o dia tem uma ligação histórica com o movimento de pacientes e familiares no Brasil. 30 de agosto é a data de nascimento de Ana Maria Levy, fundadora da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.
A escolha do dia ajudou a transformar a conscientização sobre a doença em uma mobilização anual. A proposta é dar mais visibilidade a uma condição que muitas vezes apresenta sintomas que podem ser confundidos com outros problemas de saúde.
O que é a esclerose múltipla
A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica, inflamatória e de provável origem autoimune. Nesse processo, o sistema imunológico atinge a bainha de mielina, estrutura que protege as fibras nervosas do sistema nervoso central. As lesões podem comprometer a transmissão dos sinais entre o cérebro e outras partes do corpo.
Os sintomas variam de acordo com a região afetada e podem incluir alterações na visão, visão dupla, fadiga, fraqueza muscular, dormência, formigamento, perda de equilíbrio e dificuldade para coordenar movimentos. Em alguns casos, também podem ocorrer alterações cognitivas, urinárias e intestinais.
A doença costuma atingir adultos jovens e é mais frequente em mulheres. Segundo estimativa da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla citada pelo Ministério da Saúde, cerca de 40 mil brasileiros convivem com a condição. No mundo, a estimativa é de aproximadamente 2,9 milhões de pessoas.
Como o SUS atende pacientes
O diagnóstico e o acompanhamento da esclerose múltipla fazem parte da assistência oferecida pelo Sistema Único de Saúde. Segundo o Ministério da Saúde, a rede pública oferece exames para diagnóstico, acompanhamento multiprofissional e medicamentos para manutenção do tratamento.
Atualmente, estão disponíveis no SUS nove medicamentos modificadores do curso da doença, entre eles acetato de glatirâmer, betainterferonas, fingolimode, fumarato de dimetila, natalizumabe, teriflunomida, cladribina oral e alentuzumabe, conforme a indicação clínica e os protocolos do Ministério da Saúde.
A forma remitente-recorrente é a apresentação mais comum da doença, correspondendo a cerca de 85% dos casos, segundo a Conitec. Ela costuma se manifestar por surtos, seguidos por períodos de recuperação. Há também formas progressivas, nas quais a incapacidade pode avançar de maneira diferente ao longo do tempo.
Mais do que marcar uma data no calendário, o 30 de agosto serve para lembrar que reconhecer os sinais da esclerose múltipla e buscar avaliação médica pode fazer diferença no início do acompanhamento. A conscientização, afinal, nasceu justamente para tornar uma doença pouco conhecida mais visível para a sociedade.


