A doença celíaca é uma condição autoimune que afeta aproximadamente dois milhões de brasileiros e ainda permanece sem diagnóstico para grande parte dos pacientes. Como os sintomas costumam ser variados e semelhantes aos de outras enfermidades, muitas pessoas convivem com a doença durante anos sem receber o tratamento adequado.
Segundo a médica Carolina Pimentel, coordenadora nacional da pós-graduação em Gastroenterologia da Afya Educação Médica, o quadro clínico da doença celíaca está entre os mais difíceis de identificar justamente pela diversidade de manifestações.
Embora muitos associem a enfermidade apenas à diarreia e à perda de peso, a realidade é bem diferente.
Sintomas nem sempre aparecem da mesma forma
A especialista compara a doença a um iceberg. Os sintomas clássicos representam apenas uma pequena parcela dos casos. A maioria dos pacientes apresenta sinais considerados atípicos, como:
- dor abdominal;
- distensão abdominal;
- constipação;
- anemia persistente;
- alterações na pele;
- problemas hepáticos;
- deficiência de vitaminas;
- fadiga constante.
Essa variedade faz com que muitos pacientes tratem apenas os sintomas, sem descobrir a verdadeira causa da inflamação intestinal.
Diferença entre doença celíaca e intolerância ao glúten
Apesar de frequentemente confundidas, doença celíaca e sensibilidade ao glúten não são a mesma condição.
Enquanto a sensibilidade provoca desconfortos digestivos, a doença celíaca desencadeia uma resposta autoimune. Ao consumir glúten, o organismo produz anticorpos que atacam o próprio intestino delgado, prejudicando a absorção de nutrientes.
Sem tratamento adequado, o quadro pode evoluir para:
- desnutrição;
- osteoporose;
- anemia grave;
- infertilidade;
- maior risco de linfoma de células T.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico depende da avaliação médica e da realização de exames específicos.
Entre eles estão:
- exames de sangue para identificação de anticorpos;
- testes de função hepática;
- ultrassonografia;
- tomografia;
- ressonância magnética;
- biópsia intestinal, quando necessária.
A especialista alerta que o paciente não deve retirar o glúten da alimentação antes da investigação médica, pois isso pode comprometer o resultado dos exames.
Tratamento exige eliminação total do glúten
Até o momento, não existe cura para a doença celíaca.
O único tratamento eficaz consiste na retirada completa e permanente do glúten da alimentação.
Com a exclusão da proteína, a inflamação intestinal diminui, o organismo volta a absorver corretamente os nutrientes e o risco de complicações graves é reduzido significativamente.
Hoje, o aumento da oferta de alimentos sem glúten facilita a adaptação dos pacientes e permite uma rotina saudável e segura.
Como prevenir complicações
Embora não seja possível evitar o surgimento da doença em pessoas geneticamente predispostas, o diagnóstico precoce reduz consideravelmente os riscos.
A médica recomenda procurar avaliação profissional diante de sintomas persistentes e nunca iniciar dietas restritivas por conta própria.


