Lucas Ribeiro (PP), formalizou uma representação ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) para apurar denúncias sobre o funcionamento do transporte público de João Pessoa durante o segundo turno das Eleições 2026, realizado no domingo (25).
O pedido busca esclarecer relatos de passageiros que enfrentaram atrasos, ônibus que passaram pelos pontos sem parar e dificuldades para utilizar a gratuidade do transporte. A representação também solicita a apuração de denúncias sobre veículos de transporte coletivo que teriam circulado com propaganda eleitoral no para-brisa.
Em publicação nas redes sociais, Lucas Ribeiro defendeu a investigação mesmo após o encerramento da eleição.
“Mesmo com a eleição concluída, é fundamental esclarecer os fatos e adotar as medidas cabíveis para evitar que situações como essa venham se repetir. O respeito ao direito de votar é essencial para o fortalecimento da democracia”, afirmou.
MPPB contabiliza 27 denúncias sobre transporte
Durante o segundo turno, a Ouvidoria do MPPB recebeu denúncias de possíveis irregularidades eleitorais em diferentes municípios paraibanos. No balanço consolidado, foram registradas 73 reclamações, das quais 27 estavam relacionadas ao transporte público.
Os registros incluem relatos de ônibus que não pararam nos pontos de embarque e problemas na gratuidade das passagens intermunicipais. O número inicial de 30 denúncias sobre transporte, divulgado no domingo, foi corrigido após a consolidação dos dados.
O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) também informou que sua Ouvidoria recebeu 18 denúncias relacionadas a problemas no transporte. As demandas foram encaminhadas ao Ministério Público Eleitoral para análise e providências.
Passageiros relataram atrasos e ônibus sem parada
No domingo de votação, moradores de bairros como Grotão, Funcionários, Colinas do Sul e Bairro das Indústrias relataram dificuldades para embarcar. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram coletivos passando por pontos onde havia passageiros aguardando.
O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa (Sintur-JP) atribuiu parte dos atrasos ao trânsito intenso e à lotação dos veículos. Sobre os ônibus que não pararam, a entidade afirmou que os passageiros poderiam embarcar no veículo seguinte.
A Prefeitura de João Pessoa informou que determinou a apuração de eventuais falhas na operação. A gestão também afirmou que a oferta do transporte gratuito deveria garantir o deslocamento dos eleitores aos locais de votação.
A Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP) havia anunciado uma operação especial com 81 linhas, 130 veículos e 845 viagens gratuitas. O planejamento também previa 120 agentes de mobilidade para orientar o trânsito e acompanhar a circulação.
A Semob-JP informou que uma ocorrência na região das Três Lagoas provocou reflexos temporários no tráfego durante a manhã e que a circulação foi normalizada ainda naquele período.
Denúncias também envolveram viagens intermunicipais
As reclamações não se limitaram ao transporte urbano. No Terminal Rodoviário de João Pessoa, passageiros relataram dificuldades para viajar a municípios como Mamanguape, Rio Tinto, Areia e Bananeiras.
Um dos relatos apontou divergência entre o horário de viagem exibido no site de uma empresa e a disponibilidade informada presencialmente no terminal. Outro passageiro afirmou ter chegado antes das 6h e não encontrado ônibus disponíveis para Rio Tinto.
O Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba (DER-PB) informou que verificava os horários e a oferta de viagens junto às empresas responsáveis. O órgão relatou dificuldade para acessar os sistemas operacionais devido à ausência das equipes administrativas nas garagens durante o fim de semana.
Segundo o DER-PB, informações preliminares indicavam que diversas viagens haviam sido realizadas pela manhã sem que os ônibus atingissem a lotação máxima. Os relatos dos passageiros e os dados das empresas ainda precisam ser analisados para esclarecer as divergências.
A representação formalizada pelo partido de Lucas Ribeiro busca ampliar a apuração sobre os problemas relatados. Eventuais responsabilidades dependerão da análise dos órgãos competentes, que deverão verificar se houve falha operacional ou irregularidade eleitoral.
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