O envio de um alerta falso com a palavra “misantropia” para milhões de celulares na madrugada deste sábado (20) foi classificado como um ataque cibernético que comprometeu a credibilidade do sistema nacional de alertas da Defesa Civil. A confirmação foi feita por Wolnei Wolff, secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, que determinou a suspensão imediata da plataforma de avisos até que a segurança da rede seja totalmente restabelecida.
A notificação indevida chegou aos smartphones de moradores em pelo menos cinco capitais, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Rio Branco, por volta da 1h30. O texto, acompanhado de aviso sonoro, exibia apenas o termo “misantropia”, palavra que significa aversão à humanidade. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) informou que a ação criminosa envolveu nove disparos por meio do sistema Cell Broadcast e um via SMS.
Durante entrevista coletiva, o secretário lamentou o impacto do episódio na confiança da população.
“Tudo leva a crer que foi ataque hacker, um crime cibernético. Isso é muito ruim para o sistema, ainda mais porque a gente trata da segurança das pessoas, da vida. É lógico que, para a confiabilidade, isso é muito ruim“, declarou Wolff.
Segundo as investigações preliminares, os invasores realizaram cadastros irregulares para acessar a rede de emergência. O primeiro acesso identificado ocorreu a partir de Curitiba. Após o bloqueio dessa entrada, um novo registro foi efetuado em outro local para dar sequência aos disparos indevidos.
Wolff esclareceu que o envio regular de mensagens exige treinamento e credenciamento específico dos agentes.
“O sistema é cadastrado estado por estado. Então, uma pessoa da Defesa Civil treinada só é capaz de entrar no sistema para aquele estado, jamais para outro“, explicou.
Ele acrescentou que os técnicos da pasta passaram toda a madrugada rastreando a origem das invasões e reforçou que, até o momento, não há indícios de participação de usuários autorizados.
“Tudo indica que não foi uma pessoa cadastrada, que tenha acesso regular a esse sistema“, concluiu.
Investigação policial
Para identificar os responsáveis pelo ataque, a Polícia Federal foi oficialmente acionada pelo governo na manhã deste sábado. Os trabalhos investigativos devem começar nas próximas horas. A apuração deverá ficar sob responsabilidade da Diretoria de Crimes Cibernéticos (DCiber) da corporação.
Plataforma suspensa
Diante da falha de segurança identificada, o governo retirou a ferramenta do ar imediatamente após os disparos. O restabelecimento do serviço de emergência ainda não tem data definida.
“[O sistema] voltará quando a gente tiver plena segurança de que, pelo menos nesses estados, a gente foi capaz de fazer a troca de senhas para ter o mínimo de segurança, para que não ocorra um ataque novamente“, garantiu o secretário.
Desde o início do ano, a equipe técnica do ministério trabalha no fortalecimento da segurança da plataforma para reduzir riscos de acessos não autorizados e ampliar a confiabilidade do serviço.


