O 17 de agosto é celebrado no Brasil como Dia do Pão de Queijo, uma data dedicada a uma das receitas mais conhecidas da culinária mineira. Mas a história da comemoração é bem mais recente do que a da própria iguaria: o dia ganhou força em 2007, após um concurso realizado no programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga.
A final do concurso “O Melhor Pão de Queijo do Brasil” ocorreu em 17 de agosto daquele ano. A partir da repercussão do evento, a data passou a ser adotada para celebrar o quitute. Fontes consultadas ressaltam que a comemoração não corresponde a uma data nacional instituída por lei federal.
Receita nasceu em Minas Gerais
A origem exata do pão de queijo não está registrada. A versão mais aceita associa o surgimento da receita às cozinhas das fazendas de Minas Gerais no século XVIII, quando o polvilho de mandioca era utilizado em preparações no lugar da farinha de trigo, de acesso mais difícil e caro.
À massa eram acrescentados ingredientes disponíveis nas propriedades rurais, como queijo, leite e ovos. A receita foi sendo transmitida ao longo das gerações até se transformar em um dos símbolos da culinária mineira.
Não existe, porém, um registro histórico capaz de apontar com precisão quem criou o pão de queijo, em qual fazenda ou exatamente em que ano. Por isso, a origem da receita é melhor tratada como uma tradição histórica associada a Minas Gerais.
De receita mineira a paixão nacional
A popularização do pão de queijo ultrapassou as fronteiras de Minas Gerais e levou a receita para padarias, cafeterias, restaurantes e supermercados de todo o país.
Segundo dados do Instituto Tecnológico de Panificação e Confeitaria (ITPC) divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (ABIP), são consumidas cerca de 430 mil toneladas de pão de queijo por ano no Brasil. Os pães com queijo representam 7,05% do consumo dentro do levantamento, atrás do pão francês, com 34,39%, e dos pães macios artesanais, com 18,14%.
Para a ABIP, o produto já ocupa um espaço consolidado entre os itens vendidos nas padarias brasileiras. O presidente da entidade, Paulo Menegueli, define o pão de queijo como um patrimônio gastronômico brasileiro e destaca a criação de novos formatos, recheios e combinações.
Polvilho muda textura da receita
Embora cada família e cada estabelecimento tenha sua própria versão, dois ingredientes ajudam a definir a textura do pão de queijo: o polvilho doce e o polvilho azedo.
O resultado também varia conforme o queijo utilizado. Nas receitas tradicionais mineiras, queijos curados ou meia-cura são bastante associados ao preparo, mas versões comerciais podem utilizar outros tipos.
A ausência de farinha de trigo faz com que a receita tradicional seja naturalmente livre de glúten, embora produtos industrializados devam ser avaliados individualmente de acordo com a composição e as condições de fabricação.
Recheios e novos formatos
Com a popularização do alimento, o pão de queijo ganhou versões que vão muito além da receita tradicional. Hoje é possível encontrar preparações recheadas com doce de leite, goiabada, requeijão, frango e diferentes tipos de carne, além de combinações criadas por padarias e restaurantes.
A receita também deixou de depender apenas do forno convencional. Massas congeladas, preparações para air fryer e diferentes formatos facilitaram o consumo em casa.
Do café da manhã ao lanche da tarde, o pequeno pão assado passou de uma receita regional a um produto presente em diferentes partes do país.
E é justamente essa trajetória que o 17 de agosto celebra: mais do que uma simples data gastronômica, o Dia do Pão de Queijo lembra como uma receita de origem mineira se transformou em um dos alimentos mais reconhecidos da culinária brasileira.


