15 de agosto é uma daquelas datas que colocam assuntos bem diferentes lado a lado no calendário brasileiro. O dia é associado ao Dia do Solteiro e ao Dia da Informática, duas comemorações que ganharam significados distintos ao longo do tempo.
No caso do Dia do Solteiro, a origem da escolha de 15 de agosto não é conhecida. A data aparece no calendário brasileiro como uma celebração dedicada às pessoas que não estão em um relacionamento, mas não há um registro histórico confiável que identifique quando ou por quem a comemoração foi criada.
O que os dados mostram sobre quem não vive em união
Embora o Dia do Solteiro costume ser relacionado a quem não tem parceiro, os dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE mostram uma realidade mais ampla. Conforme os numeros do IBGE, 51,3% viviam em união conjugal em 2022. Os outros 48,7% não viviam em união. Esse segundo grupo reunia tanto pessoas que nunca haviam vivido com cônjuge ou companheiro quanto aquelas que já haviam passado por uma união e estavam separadas, divorciadas ou viúvas.
Em números absolutos, eram cerca de 85,7 milhões de pessoas fora de uma união conjugal. Desse total, 30,1% nunca haviam vivido uma união e 18,6% já tinham vivido uma relação desse tipo.
O cenário também varia bastante entre os estados. Santa Catarina apresentou a maior proporção de pessoas vivendo em união, com 58,4%. Já Amapá, Distrito Federal e Amazonas registraram as menores proporções. O Rio de Janeiro teve o maior percentual de pessoas que já haviam vivido uma união, mas não estavam mais nela, com 21,4%.

E de onde veio o Dia dos Solteiros?
A comemoração mais conhecida internacionalmente acontece em 11 de novembro, na China. A tradição começou em 1993 entre estudantes da Universidade de Nanquim, que escolheram a sequência 11/11 como uma referência visual às pessoas solteiras.
A data cresceu e ganhou enorme importância comercial a partir de 2009, quando o grupo Alibaba passou a promover grandes campanhas de descontos. O chamado “Duplo 11” se transformou em um dos maiores eventos de compras do comércio eletrônico chinês.
No Brasil, porém, o 15 de agosto continua sendo a referência mais difundida. A origem dessa versão brasileira permanece sem uma explicação histórica definitiva.
O dia em que o computador mudou de escala
O 15 de agosto também é associado ao Dia da Informática, em referência ao ENIAC, uma das máquinas que marcaram a transição para a computação eletrônica de grande escala.
Desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial por John Mauchly e J. Presper Eckert, o ENIAC foi criado para realizar cálculos balísticos para o Exército dos Estados Unidos. A máquina ocupava uma grande área, pesava cerca de 30 toneladas e utilizava aproximadamente 18 mil válvulas eletrônicas.
O equipamento era muito distante dos computadores atuais. Em vez de teclado, mouse e tela, sua programação envolvia painéis, chaves, cabos e conexões físicas. Os resultados eram apresentados por meio dos próprios sistemas de controle da máquina.
Fontes brasileiras associam 15 de agosto de 1946 à apresentação do ENIAC e, por consequência, à comemoração do Dia da Informática no país.

Da máquina que ocupava uma sala ao computador no bolso
A informática mudou radicalmente desde os primeiros computadores eletrônicos. O ENIAC representava uma máquina gigantesca dedicada a cálculos específicos. Hoje, a capacidade de processamento que cabe em um smartphone é muito superior, permitindo comunicação instantânea, acesso à informação, trabalho remoto, entretenimento e uma infinidade de tarefas.
Por isso, o 15 de agosto reúne duas celebrações aparentemente distantes. Uma fala sobre relações e formas de viver; a outra, sobre uma tecnologia que transformou justamente a maneira como as pessoas trabalham, se comunicam e se relacionam com o mundo.


