O dia 12 de setembro é dedicado aos urologistas no Brasil. A escolha da data não foi por acaso: ela coincide com o nascimento de Juscelino Kubitschek de Oliveira, em 1902, em Diamantina (MG). Antes de entrar para a política e se tornar presidente da República, JK construiu uma trajetória na medicina e se especializou em urologia.
Formado em Medicina em 1927, Juscelino seguiu para Paris em 1930 para aprofundar os estudos na área. No Hospital Cochin, frequentou o curso do professor Maurice Chevassu, um dos nomes de referência da urologia francesa naquele período. De volta ao Brasil, passou a atuar em Belo Horizonte e integrou o corpo médico do Hospital Militar da Força Pública de Minas Gerais, onde chefiou o Serviço de Urologia.
A ligação de JK com a especialidade permaneceu mesmo depois do início de sua carreira política. Ele também chefiou o Serviço de Urologia da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte e continuou exercendo a medicina por anos, antes de abandonar definitivamente a profissão para se dedicar à vida pública.
De médico a patrono da urologia
A relação de Juscelino com a especialidade ajudou a transformar seu nome em uma referência histórica para a urologia brasileira. Em 2005, ele foi homenageado como patrono da Sociedade Brasileira de Urologia, reconhecimento incorporado pela entidade em sua história. Em 2006, a diretoria da SBU decidiu formalizar a homenagem ao ex-presidente como patrono da instituição.
A homenagem ganhou também reconhecimento legal. Em 21 de dezembro de 2017, a Lei nº 13.564 designou Juscelino Kubitschek como patrono da especialidade de urologia no Brasil.
É por isso que o 12 de setembro reúne duas histórias: a do médico que exerceu a urologia antes de se tornar um dos principais personagens da política brasileira e a da própria especialidade, responsável pelo cuidado do aparelho urinário de homens e mulheres e do sistema genital masculino.
Urologia vai além da próstata
Quando se fala em urologia, a próstata costuma ser o primeiro órgão lembrado. O campo de atuação, porém, é bem mais amplo. O urologista acompanha problemas como cálculos renais, infecções urinárias, alterações da bexiga, incontinência e doenças relacionadas ao sistema urinário, além de questões do aparelho reprodutor masculino.
O câncer de próstata também faz parte desse universo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença é o câncer mais incidente entre os homens brasileiros, desconsiderados os tumores de pele não melanoma. Para o triênio de 2026 a 2028, o instituto estima 77.920 novos casos por ano no país.
A atenção à doença, entretanto, não significa que todos os homens sem sintomas devam fazer exames de rastreamento de forma automática. O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional do câncer de próstata. A decisão sobre exames deve considerar riscos e benefícios e ser discutida individualmente com um profissional de saúde. Já diante de sintomas ou alterações suspeitas, a investigação médica é indicada.
Assim, o Dia do Urologista também serve para lembrar que cuidar da saúde urológica vai muito além de uma doença específica. É uma área médica que acompanha diferentes fases da vida e que teve, na trajetória de Juscelino Kubitschek, um de seus nomes mais conhecidos na história brasileira.


