Todo dia 12 de agosto, países de diferentes partes do mundo voltam os olhos para uma parcela da população que ajuda a moldar o presente e terá papel decisivo no futuro: os jovens. A data marca o Dia Internacional da Juventude, criado pelas Nações Unidas para ampliar a atenção sobre os desafios enfrentados por essa população.
A história da comemoração, porém, começou antes de a ONU oficializar a data.
Como nasceu o Dia Internacional da Juventude
A ideia ganhou força durante a Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude, realizada em Lisboa, Portugal, entre 8 e 12 de agosto de 1998. O encontro reuniu representantes de diferentes países para discutir políticas e ações voltadas aos jovens.
Ao final da conferência, surgiu a recomendação para que o dia 12 de agosto fosse reconhecido como uma data internacional dedicada à juventude.
A proposta foi posteriormente apoiada pela Assembleia Geral da ONU. Em 17 de dezembro de 1999, os países aprovaram a Resolução 54/120, que recomendou a criação do Dia Internacional da Juventude e a realização de atividades de conscientização sobre os problemas e as oportunidades enfrentados pelos jovens.
Desde então, o 12 de agosto passou a ser usado para colocar em pauta assuntos como educação, emprego, saúde, igualdade, participação social, pobreza e mudanças climáticas.
Quem é considerado jovem?
A definição de juventude não é igual em todos os lugares.
Para as Nações Unidas, a referência estatística mais utilizada considera jovens as pessoas entre 15 e 24 anos. Atualmente, esse grupo reúne cerca de 1,2 bilhão de pessoas, o equivalente a 16% da população mundial. A ONU projeta que o número se aproxime de 1,3 bilhão até 2030.
No Brasil, a faixa é mais ampla. O Estatuto da Juventude, instituído pela Lei nº 12.852, de 2013, considera jovens as pessoas de 15 a 29 anos. A legislação também estabelece princípios e diretrizes para políticas públicas voltadas a esse grupo.
Quando o Brasil passou a celebrar a data?
O país deu um passo próprio em 11 de julho de 2002, quando foi publicada a Lei nº 10.515, que instituiu oficialmente o Dia Nacional da Juventude, também celebrado em 12 de agosto.
A política brasileira para essa população ganhou novas estruturas nos anos seguintes. O Estatuto da Juventude criou o Sistema Nacional de Juventude, o Sinajuve, posteriormente regulamentado por decreto. Atualmente, a Secretaria Nacional de Juventude está vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República e coordena o sistema com o apoio do Conselho Nacional de Juventude, o Conjuve.
A Secretaria Nacional de Juventude é atualmente comandada por Vitória Genuino de Morais Silva.
Por que a data continua importante?
A existência de uma data internacional não resolve, por si só, os problemas enfrentados pelos jovens. Ela serve como um momento para colocar essas questões no centro do debate.
A própria ONU destaca desafios ligados ao acesso à educação, saúde, trabalho e igualdade, além de temas como pobreza, mudanças climáticas, conflitos e migração.
O mercado de trabalho também mostra como crises podem atingir os jovens de maneira especialmente forte. Durante a pandemia de Covid-19, a Organização Internacional do Trabalho informou que mais de um em cada seis jovens deixou de trabalhar, enquanto aqueles que permaneceram empregados tiveram redução média de 23% nas horas trabalhadas.
Mais do que uma comemoração no calendário, portanto, o 12 de agosto funciona como um lembrete de que discutir juventude é discutir também educação, trabalho, participação, direitos e oportunidades.
E a história da data começou justamente com essa ideia: colocar os jovens no centro das decisões que ajudam a definir o mundo em que eles vão viver.


