Por que 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio? A resposta está em uma iniciativa criada há mais de duas décadas para chamar a atenção do mundo para um problema de saúde pública e reforçar que a prevenção é possível.
O primeiro Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio foi realizado em 10 de setembro de 2003, em Estocolmo, por iniciativa da Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde então, a data passou a ser observada anualmente em diferentes países como um momento de conscientização, redução do estigma e incentivo à prevenção.
Em 2026, a campanha internacional chega ao terceiro e último ano do tema trienal “Changing the Narrative on Suicide”, ou “Mudando a narrativa sobre o suicídio”. O chamado deste ano é “Start the Conversation”, que reforça a importância de abrir espaço para conversas mais acolhedoras, combater mitos e facilitar a busca por ajuda.
A data também virou lei no Brasil
No Brasil, o 10 de setembro ganhou um significado oficial ainda mais recente. Em 8 de setembro de 2025, foi sancionada a Lei nº 15.199, que instituiu o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio nessa mesma data.
A lei também oficializou o Setembro Amarelo em todo o país e criou o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, em 17 de setembro. Entre os objetivos previstos estão informar a população sobre os riscos e os recursos de apoio e tratamento, reduzir o estigma e estimular a busca por ajuda profissional.
De onde veio o Setembro Amarelo?
A campanha Setembro Amarelo foi criada pela Associação Brasileira de Psiquiatria em 2013 e passou a ser promovida no Brasil em parceria com o Conselho Federal de Medicina a partir de 2014. A iniciativa busca ampliar a informação sobre prevenção, combater o estigma relacionado à saúde mental e estimular o acesso ao cuidado adequado.
A campanha brasileira cresceu ao longo dos anos e passou a integrar ações de diferentes instituições. A partir de 2025, esse movimento também passou a ter previsão específica em lei federal.
Um problema de saúde pública
A OMS estima que mais de 720 mil pessoas morram por suicídio todos os anos no mundo. A estimativa mais recente da organização aponta para 727 mil mortes em 2021. O suicídio está entre as principais causas de morte de jovens e ocupa a terceira posição entre pessoas de 15 a 29 anos.
No Brasil, dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que as taxas de mortalidade entre adolescentes cresceram entre 2016 e 2021. Entre jovens de 15 a 19 anos, o aumento foi de 49,3%, chegando a 6,6 mortes por 100 mil habitantes. Na faixa de 10 a 14 anos, o crescimento foi de 45%, com taxa de 1,33 por 100 mil.
A OMS ressalta que o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial. Entre os fatores associados estão questões sociais, culturais, psicológicas, ambientais, experiências de perda, isolamento, violência, conflitos e barreiras para o acesso ao cuidado.
Prevenção também passa pela escuta
O combate ao estigma é uma das frentes importantes da prevenção. A OMS destaca que o preconceito e o tabu podem fazer com que pessoas em sofrimento deixem de procurar ajuda.
Por isso, ouvir sem julgamentos, levar sinais de sofrimento a sério e incentivar a busca por atendimento profissional fazem parte de uma rede de proteção. A prevenção também depende de políticas públicas, serviços de saúde preparados e acesso adequado ao cuidado.
Por que a data continua importante?
Mais de 20 anos depois da criação do Dia Mundial, o 10 de setembro ganhou novos significados. Primeiro, como uma data internacional de mobilização. Depois, no Brasil, como uma data oficialmente reconhecida por lei.
O calendário, portanto, não existe apenas para lembrar uma estatística. Ele serve para colocar a prevenção em pauta, reduzir o silêncio em torno do tema e reforçar que falar sobre saúde mental também faz parte da proteção da vida.


