O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB), apresentou uma nova denúncia criminal contra o delegado Braz Morroni e os investigadores Everton Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge, conhecido como “Mão Branca”. A denúncia, formalizada nesta segunda-feira (3), também inclui outras quatro pessoas e atribui ao grupo os crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico no âmbito da Operação Perfidus.
Segundo o Ministério Público, as investigações indicam que os agentes públicos teriam utilizado viaturas oficiais, distintivos e acesso a informações sigilosas para desviar entorpecentes apreendidos em operações policiais. Ainda conforme a denúncia, as drogas eram posteriormente destinadas ao mercado ilegal, com atuação na Paraíba e no Rio Grande do Norte.
De acordo com o Gaeco, os três denunciados exerceriam funções de comando financeiro e logístico dentro da organização investigada.
Ministério Público aponta participação de civis no esquema
Ainda conforme a denúncia, quatro civis integrariam a estrutura operacional do grupo, sendo responsáveis pela movimentação financeira, adulteração dos entorpecentes para ampliar o volume comercializado e distribuição da droga.
As investigações apontam que o esquema abastecia pontos de tráfico em João Pessoa, municípios do Sertão paraibano e cidades do Rio Grande do Norte.
MPPB pede perda dos cargos e indenização
Na ação, o Ministério Público requer a perda definitiva dos cargos públicos ocupados pelos três policiais civis.
O órgão também pede que todos os denunciados sejam condenados, de forma solidária, ao pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos, além do confisco definitivo de veículos, bens e ativos financeiros bloqueados durante as investigações.
Segundo o MPPB, as medidas buscam impedir a continuidade das atividades criminosas e retirar o patrimônio que seria proveniente da prática dos crimes investigados.
Operação Perfidus soma nova denúncia
Esta é a terceira denúncia oferecida contra os investigados no âmbito da Operação Perfidus.
Em 24 de julho, o mesmo grupo já havia sido denunciado por furto qualificado, fraude processual, falsificação de documento público e abuso de autoridade.
A operação foi deflagrada em 2 de junho e contou com a atuação conjunta do Gaeco, da Polícia Civil da Paraíba e de unidades especializadas, como a Draco e a Unintelpol, dentro da articulação Convergência Nacional.
Na ocasião, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio judicial de até R$ 10 milhões em bens.
Segundo o Ministério Público, os investigados também são suspeitos de desviar drogas apreendidas oficialmente, repassar informações sigilosas a traficantes e manipular registros internos para dificultar a fiscalização.
Até a publicação desta reportagem, não havia informação sobre manifestação da defesa dos denunciados em relação à nova acusação.


