Descubra como uma mulher ultrapassou a depressão, quebrou os preconceitos da idade e transformou a sua paixão pela comunicação em um sucesso estrondoso nos palcos e na internet.
Imagine reescrever a sua própria história em uma fase da vida em que a sociedade, muitas vezes, nos diz para desacelerar. Foi exatamente isso que fez Romye Schineider. Com quase 60 anos, a jornalista paraibana deixou as amarras do trabalho de bastidores para se tornar um verdadeiro furacão do stand-up comedy e das redes sociais.
Mas como é que uma assessora de imprensa pacata se transforma em uma humorista com milhões de visualizações? A resposta envolve resiliência, autenticidade e uma coragem invejável para rir de si mesma.
O Peso de um Nome de Estrela
O destino de Romye parece ter sido traçado logo no nascimento, em Pombal, no sertão da Paraíba. A sua mãe, fascinada por cinema, decidiu batizá-la em homenagem à icônica atriz austríaca Romy Schneider. Ter o nome (e a sonoridade) de uma estrela de Hollywood criou, segundo a própria, uma necessidade inconsciente de buscar os palcos e os aplausos.
Aos 18 anos, ela se mudou para João Pessoa para estudar Jornalismo. Sem recursos, trabalhou no comércio até conseguir o seu primeiro estágio. A partir daí, a sua voz e o seu carisma a levaram a construir uma sólida carreira em televisão (passando pela TV O Norte e TV Tambaú), rádio e, mais tarde, na assessoria de imprensa do Estado. Contudo, o trabalho na sombra dos bastidores começou a sufocar a sua essência “amostrada” e protagonista.
A Virada de Chave: Da Depressão aos Palcos
O ponto de virada não surgiu em um momento de alegria, mas sim na dor. Romye enfrentou um período sombrio de depressão que a fez perder a vontade de trabalhar e de viver. Foi graças ao acompanhamento psiquiátrico, à terapia e ao acolhimento dos colegas na Secretaria de Saúde que ela conseguiu se reerguer.
Dessa fase renasceu uma nova mulher: alguém que queria mais da vida.
Aproveitando o seu humor natural e a sua veia de cronista, criou o blog Munganga (um termo regional para quem faz trejeitos e graças). O sucesso dos seus textos autênticos chamou a atenção de um consultor do Sebrae, que lhe deu o empurrão que faltava: “O que você faz é stand-up!”.
Em 2016, aos 46 anos, Romye subiu ao palco pela primeira vez. Hoje, uma década depois e com dezenas de espetáculos no currículo — incluindo o seu mais recente sucesso, “Depois dos 50 Sorriso” —, ela prova que o humor não é um território exclusivo dos mais jovens.
O Fenômeno Viral e a Febre dos “Doramas”
Se nos palcos Romye já brilhava, na internet ela explodiu. O segredo? A improvisação pura.
Ao compartilhar vídeos sem filtros e sem grandes produções, a humorista capturou a atenção do público de forma magnética. Um vídeo irreverente gravado durante o Carnaval e, mais recentemente, uma hilária degustação de Soju (a tradicional bebida coreana consumida nos famosos Doramas asiáticos) catapultaram as suas redes sociais. O vídeo do dorama atingiu rapidamente perto de 1 milhão de visualizações, atraindo uma legião de seguidores apaixonados por cultura asiática e pela sua energia contagiante.
Maturidade, Terapia e… 56 Namorados!
A grande lição que Romye compartilha com o seu público — especialmente com as mulheres “50+” — é o poder da libertação.
Graças a anos de terapia, ela aprendeu a não se comparar, a aceitar as suas rugas e a assumir os cabelos brancos. Encontrou a paz na sua própria solitude, recusa enquadrar-se no modelo tradicional de casamento e vive os seus relacionamentos com a leveza de quem sabe exatamente o que quer (e o que não quer).
Essa mesma irreverência está prestes a saltar para as páginas de um livro. Inspirada por um caderno da adolescência onde anotava todos os rapazes com quem ficava, Romye submeteu a um edital literário uma obra de contos baseada nos seus 56 namorados de juventude, provisoriamente intitulada “As 50 bocas que beijei”.
A mensagem é clara: a vida não acaba aos 50; na verdade, pode ser exatamente aí que a verdadeira diversão começa. Romye Schineider é a prova viva de que rir de nós próprios é, e sempre será, o melhor remédio.
Fonte das informações: Entrevista concedida ao “Papeando Podcast”. Vídeo original: PAPEANDO PODCAST – ROMYE SCHNEIDER (HUMORISTA E JORNALISTA) EP. 137 Canal: Papeando Podcast
Link: https://www.youtube.com/watch?v=ZmEQfRf-8nc