O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de utilizar eleitoralmente o reajuste do Bolsa Família. A declaração foi feita neste sábado (19), durante um comício em Joinville, Santa Catarina.
Flávio criticou o momento em que o governo federal anunciou a atualização dos valores do programa e afirmou que a medida teria como objetivo conquistar votos entre os beneficiários de baixa renda.
“Ele viu nas pesquisas que a gente vai ganhar no primeiro turno e resolveu comprar o voto dos mais pobres, dando R$ 90 de reajuste para o Bolsa Família”, afirmou o candidato durante o evento. A declaração é uma avaliação política de Flávio sobre a motivação do reajuste e não uma constatação de que a medida tenha finalidade eleitoral.
O que mudou no Bolsa Família
O governo federal publicou em 17 de setembro o Decreto nº 13.120, que determinou a correção dos benefícios do Bolsa Família em 15,04%. Segundo o texto do decreto, o percentual corresponde à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.
Com a atualização, o valor mínimo do benefício passa de R$ 600 para R$ 691. O valor médio pago às famílias sobe de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos na folha de outubro, a partir de 19 de outubro.
O Ministério da Fazenda afirma que a medida representa uma recomposição da inflação acumulada desde a reformulação do programa, em 2023, e que o impacto está previsto no orçamento federal. O ministro Dario Durigan também rejeitou a caracterização do reajuste como medida eleitoreira.
A discussão chegou também ao Supremo Tribunal Federal. Em 18 de setembro, o ministro Gilmar Mendes considerou que a atualização dos valores atende a um critério objetivo de correção monetária e representa o cumprimento de uma decisão anterior da Corte sobre renda básica.
Comparação com 2022
Durante o discurso, Flávio também fez referência ao reajuste aplicado no governo de Jair Bolsonaro em 2022. Naquele ano, o programa se chamava Auxílio Brasil e o valor mínimo do benefício passou de R$ 400 para R$ 600, uma alta de 50%.
A diferença apontada pelo candidato está, principalmente, no momento em que os reajustes foram anunciados. Em 2026, a atualização foi oficializada em 17 de setembro, enquanto o primeiro turno da eleição presidencial está marcado para 4 de outubro. Essa proximidade temporal é um dado de calendário, mas não comprova, por si só, a motivação atribuída por Flávio ao governo.
Flávio afirmou ainda que, caso seja eleito, pretende manter o reajuste do Bolsa Família e ampliar os valores do programa.


